Hey, Folks 🙂
Tudo bem com vocês?

Esquizofrenia Social
No engarrafamento, em 22/06/2013

Ela me chamou de nojenta.

Ainda soletrou cada letra ao ver minha expressão de choque
ao ela dizer tais palavras, quase cuspi meu café na cara dela, o meu choque foi
por um motivo simples, de acordo com ela, mas para mim, foi algo sério.
Ela simplesmente achou no direito de me considerar nojenta
porque eu não tenho neuroses com meu corpo e minha beleza. Nas palavras dela:
“TODAS as mulheres do PLANETA tem alguma insatisfação em quem aparentam ser.” Eu
respondi: “Eu tenho insatisfação com quem criou essas neuroses a partir desses
conceito do que é “bonito” e o que é “feio”, e eu não sou todo mundo.” Odeio
generalização. Em tudo.
– Porque as mulheres precisam ser delicadas;

– Porque se um na turma tira 10, TODOS tem que ficar no
nível daquele aluno;
– A mulher precisa ser cortejada, e não ir em busca de um
par;
ARGH! Eu, na época romana, seria apedrejada em praça
pública porque eu não conseguiria ser uma bonequinha, controlada, sendo sempre
educada, calada e linda, para se casar com um homem mais velho, qualquer, sem
amor, apenas para procriar, e com o passar dos anos, as coisas não melhoraram
para nós, mulheres, se acham que hoje em dia, estamos vivendo o nosso auge de
liberdade gargalho para a sua ingenuidade. Olhar pro espelho, e não gostar do que
ver, é só mais um meio de controle, que a sociedade descobriu por meio do
inconsciente de nos controlar. Como a moda, os costumes e até mesmo pequenas
regrinhas do tipo: esperar o cara chegar em você, no entanto, pode se divertir
ficando com outros em uma balada que você não será chamada de “vadia”, apenas
de fácil dependendo da situação; Esses tipos de modelos que devem ser seguidos
são hipocrisias que nos tornam inseguras e quando seguimos isso, robôs.

E ai, surge uma mulher como eu, que diz não ter neurose em
NADA, e pronto, automaticamente, todas as mulheres ao seu arredor, do seu
bairro, do estado, do pais, do continente, do mundo, se unem contra você, te
olham, te julgam e gritam em uníssono: IMPOSSÍVEL! Você tem que ter alguma
neurose, você PRECISA ser insegura em algo.
E ai começa o momento maldoso, de apontar os defeitos que
você tem para tentar te levar para o grupinho das neuróticas:
– seu cabelo tem pontas duplas;
– Sua pele é oleosa;
– Você tem mal hálito.

– Você tem uma gordurinha escrota aqui;
– Você é alta demais;
– Você é baixa demais;
– Seu nariz é grande e a arredondado, e não combina com
seu rosto;
– Você deveria … mudar isso, aquilo, usar esse creme, se
maquiar menos, mais, pentear seu cabelo, deixá-lo crescer, cortar, pintar,
deixa na cor natural, e seus olhos: óculos são feios, bonitos, lentes nem
pensar, só colorido, da cor natural, se não, você fica fútil.
Gritei.
Desmaiei.
Acordei e elas continuaram com a listinha.
Gritei denovo, e corri como se fugisse de uma horda de
zumbis, mas estava era fugindo daquelas frases, neuras, conceitos da sociedade
que começaram a me assombrar enquanto fugia; um olhar torto para mim e sentia
que tinha algo errado com meu corpo, aquela ruiva na capa de revista de
exercício moveu a sobrancelha para mim com as letras em vermelho gritando
“tenha o corpo perfeito”, abafei um grito e corri direto para minha casa, me
tranquei lá dentro, aflita, com medo, começando … começando a ficar
neurótica, gritei, começando a sentir que havia algo de errado em mim. Como eu
poderia nunca ter notado tantos defeitos em mim, como eu achava que estava tudo
bem e não tinha nenhuma neurose, quando estava tudo errado?
Parei em frente do espelho, procurando e caçando cada um
daqueles detalhes destacados pela sociedade, e nada.
Eles não me incomodavam.
Nem os cabelos (era só hidratá-los), as gordurinhas não eram lá grandes coisas,
e nem me incomodavam, como minha pele, nariz, minha altura … Eu era assim. Eu
era uma garota de 1.80, de 68 kg, sobrancelhas grossas, olhos escuros, pele
parda e seca, cabelos longos, as vezes enrolados, as vezes lisos, nariz grande,
pequeno e arredondado, dependia do ângulo, e eu me amava assim, e isso deveria
bastar, não só para mim, mas para toda a sociedade. Ser assim faz parte da
pessoa que eu sou, e eu me amo assim.
Não estou dizendo que não devemos nos moldar, no entanto, vejo tantas pessoas
se moldando porque a sociedade diz isso, a sociedade aponta o que é “bonito”
para eles e as pessoas, inseguras e querendo ser parte da tendência, se arriscam
a fazerem parte daquilo. Se você quer mudar seu corpo, porque seu nariz não lhe
faz bem, seus seios são pequenos demais e você queria mais, você tem uns quilos
a mais e quer perdê-los de um modo saudável – ou cirúrgico – e você quer fazer
isso, porque você quer, e não porque alguém disse que é bonito.

As minhas imperfeições que a sociedade aponta são lindas
para mim e elas me definem, e se alguém não gosta delas ou me diz que devo
mudá-las para se adequar, é como se estivessem dizendo: Você não é boa o bastante
e precisa mudar quem é. E não, quem não é bom o bastante é quem não aceita você
da forma que você é, e enquanto todas as mulheres – e homens – não perceberem que
ser do modo que vocês são: altos, baixos, cabeludos, loiros, carecas, de
cabelos enrolados, lisos, gordos, magros, normais, flácidos, gostosos,
narigudos, nariz de boneca, lábios de Jolie, com seu tipo de lábios, etc …
fazem parte de você e que ser assim é um modo que te define, o mundo vai
continuar assim, julgador, vazio e cheio de inseguranças invalidas. Ah, e sabe
aquela história de que você precisa se amar primeiro, para depois, amar o
próximo? É verdade, depois que eu comecei a me amar, me apaixonar se torno um
ato muito prazeroso, respeitador e impar. Todos deveriam tentar.
Não se apaixonar.
Quer dizer, devem se apaixonar sim, mas antes
Devem se amar, como se não houvesse amanhã.
“Então, sou nojenta sim, pois gosto de ser assim, de ser
eu.”
Um grande beijo, daquela que é sua pessoa hoje e sempre,

Ann

Pessoal, desculpe não ter postado semana passada um novo conto da Ann, estou sofrendo com uma gripe e é semana de provas na Universidade, então já conseguem imaginar como a minha vida está gostosinha nesse momento, só que infelizmente, não :/
Desculpem pela falta de Ann semana passada, mas não abandonei vocês, nunca faria isso, juro 🙂

Aguardo comentários de vocês, um beijão!

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5 Comentários

  • Ana Lopes
    24 junho, 2013

    Acho super fofos seus contos e esse mais do que todos me incentivou a lembrar quem eu sou e com o que devo me preocupar . Esquecer a opinião dos outros e pensar em mim.

  • Marina
    24 junho, 2013

    Adorei esse texto! Você disse tudo que eu gostaria de ter dito! Eu sou meio (ok, totalmente) desleixada com minha aparência, e as pessoas ficam enchendo o raio do saco falando que eu deveria mudar isso e aquilo, enfim, falando que eu deveria mudar tudo! Quando eu digo que estou satisfeita assim, elas não acreditam. O normal é não estar satisfeito com o próprio corpo, o anormal é gostar de si mesmo Oo

  • Lauro Moura
    24 junho, 2013

    Li,re-li e me encantei pelo seu texto, por simplesmente uma coisa, ele se encaixa a todos no universo que se julgam e são julgados, qualquer pessoa passa por isso, querer ser algo que não é , ou ser algo que não quer, cada um tem que se aceitar primeiro, com isso automaticamente você aceita e respeita quem esta ao seu redor, mais um texto de Ann,memorável, pra mim sem sombra de dúvidas, o melhor.

  • cristiane
    23 junho, 2013

    Ficou bem bacana e sou uma que concorda demais com essa opinião. Mudar porque alguém acha que você é diferente? Mudar porque não agrada os outros? De jeito nenhum! A menos, é claro, que as atitudes sejam as mais estúpidas, aí tem de mudar mesmo, não adianta…Mas se você não faz mal a ninguém, se está ali sendo você e na sua, é o que é e dane-se o que os outros acham! Ahh, querem brincar de massinha de modelar que voltem para o jardim de infância! =P

  • Raquel Jacobina
    23 junho, 2013

    Primeira vez que leio um conto de Ann e me apaixonei. Concordo totalmente, não devemos ser bonecos moldados pela sociedade, eu sou feliz com meu corpo, se sou magra demais isso não deveria incomodar as pessoas. Houve um tempo que me importava com o que falavam de mim, hoje eu me irrito, não acho que as pessoas devam me dizer como deve ser meu corpo, meu cabelo ou minhas roupas. Sou feliz como sou!

    Abraços, Raquel.
    Viajando com Livros.