11 de janeiro de 2014

Aleatoriedades e uma café, por favor #19 - Flocos de Mim

POSTADO POR EM 11 de janeiro de 2014

Hey, mates :)
Tudo bem?

                           

Flocos de mim
Presa dentro de casa, tomando café, vestida com minha pantufa com o barulho da televisão num canal de desenho animado qualquer, 11/01/2014


Odeio essa obrigatoriedade de ter que desejar a todos um feliz natal e ano novo.
Não que eu não deseje que todos tenham um natal incrível e um começo de ano renovado, é só que a partir do momento que algo se torna obrigatório, ela perde sua essência e no mundo extremamente julgador em que vivemos hoje, se você é diferente em sua forma de pensar\opinião, danou-se.
Eu não ligo, mando mensagem, e-mail desejando feliz natal e feliz ano novo porque não sinto vontade.
É uma questão pessoal.
”Ah, mas as pessoas não tem culpa se você é anti social, você precisa desejar a elas boas festividades ou vai ser vista de maneira errada, será incompreendida e perderá os amigos.”
Que perca! Se é meu amigo, você sabe como sou.
Cabeça dura, teimosa, orgulhosa, persistente e personalidade geniosa.
Não sou obrigada a desejar aquilo que não quero. Ponto.
Na realidade, ressalto aqui que nessa vida, somos apenas obrigados a fazer algo a mando de nossas consciência, então se você se sente obrigado a fazer algo, pois alguém ‘aconselhou’ a isso, querido, você precisa reavaliar sua vida ... TODA. Aconselho psiquiatra com embasamento em Freud.

Onde é que eu estava mesmo? Oh, sim!
Não te contei, mas quase levei bengalada do meu avô porque eu me tranquei no quarto depois da ceia.
”Você tem que ficar com a família” Ele resmungou, balançando a cabeça em negativa. “Toda a idéia do natal é essa, unir a família. Esse é o espírito natalino.” Ele continuou, enchendo a mão de passas e as engolindo por fim.
”Para mim eram os presentes e a comilança.” Foi o que eu disse, quase desencarnei na seqüência, pois depois disso tive que dar dois mortais, uma estrelinha, um golpe num elfo de Mirwood e uma cambalhota para fugir da bengala do meu avô.

Gente, não é isso?
Para mim, as festividades acabaram por ganhar esse teor desgostoso de obrigatoriedade, consumismo e futilidade. Eu amo natal com a família e a ceia, mas os presentes, por mais bons que sejam, não deveria ter a máxima importância que tem. Se eu ou você não se sente confortável em desejar feliz natal a alguém, não deveria ter alguém apontando o dedo dizendo: que coisa feia! Se você não quer ficar na sala com sua família e ir para o quarto terminar um capítulo de um livro enquanto a ceia é preparada, você deveria ter esse direito ao em vez de quase ser assassinada por uma bengala.
Temos que estar felizes, de roupas novas, cabelo novo, sorrisão no rosto, com presentes a todos – o que não é algo ruim nunca, mas para mim natal não é isso -, uma ceia farta – o que também não é ruim, mas o ponto não é esse -, ao arredor de quem amamos e é claro – o que acho maravilhoso, mas o ponto ainda não é esse -, com aquele famoso espírito de caridade, fraternidade e felicidade. Note que isso tudo só dura DURANTE A SEMANA DE FESTIVIDADES – aí, esse é o ponto.
Sua vida pode estar uma porcaria, mas é Natal e a loja de departamentos mais famosa do país está fazendo promoção em 12 vezes sem juros, o seu tender está na metade do preço e o gatinho do seu trabalho confirmou presença no evento da empresa. É a sua chance, menina! Nesse natal tudo vai acontecer. É nesse ano novo que você passa meia noite beijando alguém.
Pois é, porque você está chorando então? Sorria. Fique feliz.
NINGUÉM pode ESTAR triste NO natal.

Olha, essa carta está perdendo o foco, não é uma carta sobre natal e ano novo.
Poderia ser, mas não é.
Eu só estou tentando me explicar do porque de não ter lhe desejado um bom natal e passagem de ano.
Eu não gosto. Sou contra. Ponto.
Mas espero que tenha sido ótimo.
Não estou desejando feliz nada agora, apenas ... Espero que tenha sido bom.
Além disso, também queria enviar essa carta para me explicar do meu sumiço nessas ultimas semanas.
Meses.
Ando meio fora de mim.
Acho que todo mundo já passou por um momento assim na vida, mas não sabe bem como é estar fora de si mesmo, então só acha que está cansado, triste ou solitário.
Eu estou – denovo – passando por isso.
Por essa sensação de quem tem algo faltando, mas eu não sei o que é.
Objeto, dinheiro, dignidade, respeito, alguém.
Sabe quando você arruma sua mochila, saí de casa, entra no carro, dirigi dois quarteirões e seu cérebro dá um clique lhe questionando se você colocou o carregador na mochila e você só sossega quando abre a mochila, tira toda sua vida de lá até encontrar o carregador? Então, eu estou me sentindo assim. Sendo que eu nunca acho o carregador, então estou parada num meio fio, dentro de um carro abafado, louca, caçando por um carregador dentro de uma mochila que não tem fim.
Eu não tenho fim.
E o carregador ... não sei o que é para mim.
Ele não só carrega minha vida, mas me alimenta, me conduz, me dá combustível para seguir.
Mas eu o perdi. Como encontrar um outro combustível quando meu corpo está acostumado com um tipo?
Complicado.
Injusto.
Muito injusto.

É, estou azeda hoje.
Normalmente eu sou amarga, mas hoje, em especial, estou azeda.
Deve ser o frio. Dizem que o frio deixa as pessoas rabugentas, depressivas, sozinhas.
Mas no calor também não sou a pessoa mais gentil, você sabe disso. O suor me deixa irritada, as pessoas lerdas e reclamando: Ô como está calor! Me deixam profundamente sociopata.
Mas o calor ... ah, o calor! A energia, a alegria, a vivacidade. Não sei, há algo no calor, que me faz sentir mais viva e menos fora de mim. Sinto falta do calor.
Esse frio todo não está me fazendo bem.
Hoje meu chefe ligou dizendo que não haveria expediente por causa da neve. Aceitei na boa, quem não quer um dia de folga? Tenho tanta coisa para fazer, mas entendi o porque de não ter expediente. Não pude sair de casa, na realidade, acho que ninguém nessa região pode. Tem neve por toda a parte. Fui tentar ir à caixa de correio e fiquei entalada na neve na metade do caminho. Sentei e chorei. Não consigo chegar na minha caixa de correio. Tem noção disso? Tem idéia da imagem triste dessa mulher largada no meio da neve, chorando porque não consegue fazer a tarefa simples de ir à caixa de correio e pegar cartas? Vi minha vizinha me encarando julgadora. Chorei mais ainda. Apenas levantei porque o gelo derreteu, a calça ficou molhada e a sensação não era nem um pouco prazerosa. Voltei para casa, tomei banho e agora to escrevendo essa carta, sem saber ao certo o que dizer.

Tudo parece tão novo.
Deve ser efeito do ano novo.

Meu café está gelado.
Deve ser porque o larguei no balcão enquanto escrevia.

Vou fazer mais.

Pronto.
Tem café aqui.

Ainda não sei o que dizer.
Eu sei que tem tanto para falar, mas ... sei lá, estou com essa sensação de que não somos mais as mesmas pessoas de semanas atrás que nos conhecíamos apenas com palavras, sabe?

Há algo de novo entre nós e o estranho.


Foi a distância, você deve estar pensando amargurado.
Não ignoro essa hipótese.
Mas não, acho que foi outra coisa. Algo que não podemos controlar.
Mas vou arriscar, como todo herói que tenta lutar contra seu maior inimigo, mesmo sabendo que pode vir a ser uma batalha vencida, eu vou entrar nessa batalha, em busca de reconquistar o que é meu por direito.
E você não tem idéia de como sou sortuda, a parte mais difícil é começar, e eu sou excelente com inícios, são dos fins que eu não gosto, sempre arranco as últimas páginas dos livros, gosto de pensar que os personagens simplesmente seguiram com suas vidas. Espero que façamos isso, mas que isso acontença.
Er, vamos ao começo.

Então,
oi.
Tudo bem?


Ann odeia finais.

8 comentários:

  1. Lindo texto. Realmente o final de ano não é fácil para todo mundo. É uma pena que as festividades tenham se desvirtuado pelo consumo desenfreado e pelo status comercial. Ainda assim amo.. pena mesmo não ter neve por aqui que nem lá fora, senão ia ser ainda mais perfeito. Beijos, Mi

    www.recantodami.com

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  2. Gostei do texto, me identifiquei com muitos pontos. Não sei se entendi bem, mas no 3º parágrafo me lembrei de uma coisa que sempre vejo, principalmente nos finais de ano e fico sempre sem entender. É o fato de que as pessoas passam o ano inteiro sendo más com as outras, fazendo brigas, desacreditando na vida e quando chega o Natal, puff! Passam a ser as pessoas mais solidárias do mundo, querendo reunir a família e etc. Isto seria ótimo, mas acontece que isso tudo só dura até, no máximo, o ano novo. Depois, tudo volta ao normal. E quem não quer participar desse show de falsidade, como você ou eu, é visto como uma pessoa amarga ou mal educada.
    Concordo que todos já se sentiram procurando um carregador que nunca encontram, também me sinto assim ás vezes, sempre procurando algo que nem eu mesma sei o que é, mas não consigo sossegar enquanto não encontrar! A vida é assim mesmo rs
    beijos ♥
    quemprecisadetvparaverbeyonce.blogspot.com.br

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  3. O texto tem tudo haver com a realidade,mas vamos fazer o que ,cada um age e se comporta como deve ou espera uma reciproca verdadeira,ou faz vista grossa e vai encarando os fatos ou simplesmente a realidade!
    beijinss!

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  4. Ann poética e filosofa como sempre. Já estava sentindo falta dos contos dela aqui no blog e que ótimo que ela voltou de férias. Final de ano e todas as épocas comemorativas em geral nos proporcional lembranças boas ou ruins. Eu particularmente não gosto de fins, mas tenho a certeza que sempre depois de um vem um recomeço *-*

    Beijoos.
    Lauro,
    http://entreversosepaginas.blogspot.com.br/

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  5. Também acho que atualmente as festividades ganharam uma conotação mais comercial. Na minha família, não trocamos presentes de natal, nem fazemos amigos secretos, pois ficávamos todos estressados a procura do presente ideal.
    Agora só aproveitamos a comida e a presença de todos =)

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  6. Concordo plenamente com texto! Ressalto que as pessoas decidem ficar amorosas e solidárias só nessa época do ano, no restante esquecem de quem precisa de ajuda!

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  7. para mim o natal é a epoca mais linda do ano... mas tenho certeza q deve ser a mais triste para tantas pessoas... acho q uma data tao especial, nao poderia ser repleta de mentiras como é essa festa! nunca gostei de Papai Noel.. primeiro pq nao existe, segundo pq ja vi muitas crianças pobres dizer q ele tinha preconceito com os pobres, so dando presentes para os ricos! :/ eu direi logo aos meus filhos q papai noel nao existe.. e sairei presenteando essas crianças u.u

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  8. Nossa fui lendo o texto e concordando com suas belas palavras. Mas confesso que esta épocas de festividades é um momento da gente refletir, ser verdadeiros e fazermos metas...Não podemos ser mesquinhos e falsos, pois no fundo do coração a gente sabe muito bem quando uma ação ou sentimento não é verdadeiro!

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