1 de março de 2014

Aleatoriedades e um café, por favor #21 - Escolhas

POSTADO POR EM 1 de março de 2014

Hey, matesTudo bem?



Escolhas

Tomando café na varanda do Escritório, 23/02/2014

Smile do Rod Stewart – Você deveria ouvir


Fui questionada por um estagiário no trabalho, de acordo com ele, era para um trabalho da Faculdade dele. Aquela pergunta capciosa era pior que aquela que ouvimos a adolescência inteira: o que você quer fazer quando crescer? – Ou aquela outra: você já beijou? Na realidade, perguntas são horríveis de qualquer tipo de proporção e deveriam ser proibidas de serem feitas.
Na hora travei, bebericando meu café encarando aquele rosto livres de rugas, dono de um sorriso esperançoso e cabelos oleosos pela pos puberdade – ou talvez, gel buscava uma forma de explicar a ele a minha experiência, sem desmotiva-lo, estragar seu trabalho ou fazê-lo acreditar que minha resposta era tola demais para estar figurando em seu trabalho.
Sou uma escritora, logo penso demais.
Então comecei ...
Sempre tive inveja de quem sabia o que queria.
Sabe? Essa gente é nojenta.
Tenho uma amiga assim. A Amanda. Nós sempre saímos para tomar café num coffee shop perto da Faculdade dela, quando chegamos lá fico em dúvida entre três cafés maravilhosos e ela sempre, tem uma escolha na ponta da língua. E toda vez que vamos lá, ela toma um diferente. Tinha uma época que eu achava que ela antes de chegar nos lugares, já imaginava o que queria, assim na hora, ela saia como pessoa super decidida, mas não, meu caro amigo. Ela é decidida por natureza. Não importa onde seja: no coffee shop, no cabeleireiro, na livraria ou na boate escolhendo seu próximo namorado. Ela sempre era certeira, direta e com um ótimo dedo para optar as coisas. Comigo? Nunca foi assim.
Não foi difícil.
Mas também não foi fácil.
Escolher uma carreira.
Eu sempre nasci para escrever, então quando o momento chegou foi fácil escolher Jornalismo e Literaturas, como opções. Acabei optando pelo 1º, pois a faculdade se situava em Nova York, próximo da casa dos meus pais e dos meus amigos. Não me arrependo. Mentira, na metade da Faculdade comecei a me questionar o motivo de ter seguido aquele caminho, quando tive outros mais interessantes; comecei a ficar frustrada com o desinteresse do departamento de Jornalismo, os professores sem animo para dar aula, a falta de eventos e opções de estágio também me frustravam, o que me levava ao porque de não ter optado ir para uma faculdade do outro lado do país, que foi uma das minhas opções e tinha um currículo incrível. Essa ultima duvida surgia em minha mente como pergunta, toda vez que meus pais me sufocavam com perguntas sobre o que eu faria na minha vida adulta, pois para eles, eu não posso viver de escrita. Para eles, eu tenho que ser repórter de tragédias na Síria. Com a carreira de Jornalismo, dispôs do meu tempo livre para aprender espanhol e francês, pois é fundamental saber alguns idiomas, não apenas para estudar, mas para conhecimento geral. Estudar e trabalhar em uma livraria próxima também ocupavam maior parte do meu tempo. Nunca gostei de ficar estagnada, trabalhar para mim era garantia de um dinheirinho ao fim do mês para uma festa ou aquela mochila dourada que achei a minha cara ou uma parcela para um notebook novo.
Claro, que com a Faculdade, veio algumas complicações.
Dormir? Era um luxo.
Beber vodka? Era uma vantagem.
Fumar? Um paraíso para a morte.
Precisar de dinheiro O TEMPO TODO? Era uma necessidade.
Quando você finalmente, se encontrava sem algo para fazer, surgia uma pilha de novas tarefas e obrigações.
Ah, e a republica.
A barulhenta, movimentada e caótica republica.
Minha moradia por dois longos anos.
Se você é como eu, um introvertido independente bastardo que precisa de seu espaço pessoal em sua bolha de privacidade, fuja de uma republica. Viva com seus pais. Viva com seu namorado/a. Viva em qualquer buraco que seja menos de 50 dolares por mês, mas não viva em uma republica.
Ou viva, e se desafie.
Eu o fiz e confesso que valeu cada segundo.
Tudo bem, no inicio, foi difícil viver em uma república, sempre fui muito independente, então ter que dividir um espaço com uma desorganizada compulsiva como Bren, era um grande sacrifício para mim. Todo fim de semana fazia limpeza no meu espaço, mas era meio em vão, quando o espaço dela se encontrava em total caos como se o Furacão Katrina tivesse passado por ali e sempre, de algum modo sinistro, acabavam de algum modo mutante se proliferando do meu lado do quarto. Outra coisa difícil para mim era à parte das amizades: Bren sempre levava seus amigos barulhentos, fumantes e festeiros para o seu quarto TODOS OS DIAS, o que me atrapalhava nos estudos, sono e escrita, enquanto eu, levava Anita uma vez ou outra, discreta como uma formiga, ela mal era notada e pelo tédio, acabávamos largando os videogames e saiamos para ir ao Central Park ou em alguma Galeria de Artes passar o tempo. Ou seja, enquanto Bren levava Deus e o mundo para o nosso pequeno quarto, eu quase nunca fazia o mesmo, e quando fazia, respeitava nossa regra de convivência numero 08: Se trouxer alguém, que seja invisível aos meus olhos e ouvidos – é claro, apenas se não trouxer comida, pois se trouxer, ele irá se tornar bem visível aos meus olhos e amigo do meu coração.
À parte da comida era fácil: cada uma comprava a sua, etiquetava e respeitava o espaço e posse uma da outra. Menos quando o assunto era chocolate, tínhamos uma regra em nosso quarto que chocolate e café tinha que sempre ser comprado em dobro para podermos dividir.  No entanto, nos tornamos melhores amigas em pouco tempo. Era tudo questão de se acostumar: com nossas manias, costumes e ranhetices. Essa última parte, mais minha do que de Bren. Nossas regras de boa convivência se tornaram manias de melhores amigas. Os amigos de Bren se tornaram desconhecidos quando ela descobriu o verdadeiro laço de amizade comigo e se tornou a nº 03 no nosso grupo de amizade, junto a Anita.
A ajudei a criar metas, ela acabou arranjando um emprego e em poucos meses, devolvemos nosso quarto na republica e alugamos um flat podre no Queens, sendo pago pelo nosso dinheiro suado dos nossos trabalhos. Aprendemos que cano de escapamento não era som de tiro e que quando há tiroteio, o melhor lugar para se esconder era no banheiro de dois metros que tínhamos, o que era sempre divertido, pois sempre ficávamos entaladas, sufocadas ou castrofóbicas, preferindo levar um tiro, a se esconder ali.
Aprendemos a lidar com a esquisitice uma das outras.
A sobreviver com o pouco que tínhamos.
A sermos independentes em tempo de dependência.
A sermos amigas em momentos difíceis e nos melhores momentos de nossas vidas.
Está entendendo o que quis dizer lá no inicio? Você pode fugir de certas coisas que você acredita que não lhe cabem, mas as vezes, é bom encarar elas de frente, pois elas podem ser os seus maiores desafios para se definir uma pessoa incrível, e nesse processo, definir outros.
Se eu não tivesse ido para uma republica, talvez jamais tivesse encontrado Bren em minha vida. Ela hoje seria uma pessoa completamente diferente.
E eu também.

Meu caro amigo, sabe, hoje em dia, eu vejo que a parte de escolher uma carreira é fácil.
Nós que a dificultamos.
Na realidade, fazemos isso em tudo na vida, não é?
Pense só.
É fácil escolher uma carreira.
O que gostamos de fazer? Dançar? Escrever? Lógica?
Quais são as áreas que abrangem aquilo que tenho interesse?
Isso, isso e mais isso? Tem mais?
Que tal fazer um teste vocacional?
Você faz um teste vocacional, tem uma resposta, as vezes ela te serve, as vezes, meu caro, ela só te confunde mais.
Então, o que você faz?
Tenta decidir.
Conversa com pessoas que seguem essa profissão.
Conversa com seus pais, seus amigos, o porteiro, desconhecidos, seu cachorro, conversa com o pôster do seu ator favorito, seus professores, mais desconhecidos, conversa consigo mesmo.
Chora. Eu chorei muito. Achava que estava tomando uma decisão péssima que deveria fazer algo mais rentável como arquitetura ou engenharia, mesmo sendo uma porcaria com número, mas não, eu era teimosa. Nasci para escrever, então deveria fazer o que? Algo que envolvesse escrever.
Todos diziam que ia passar fome.
Passei.
Tinha dias que meu jantar era macarrão instantâneo com suco em pó. Muitos dias.
Eu ganhava seis dólares por hora na livraria, tudo ia para a poupança. Meus pais me enviavam um pouco de dinheiro por mês para comida, algumas despejas básicas e material universitário. No fim do mês, se eu tinha 03 dólares era muito. Não tive ajuda para lançar meu livro, tive que correr atrás sozinha, com o pouco das minhas economias. Poucos acreditavam em mim. Era eu, Deus, minha família e poucos amigos.
Tudo melhorou só quando consegui uma bolsa de estágio na Revista, que hoje sou funcionária oficial, consegui publicar meu livro. Voltei a economizar e hoje em dia, depois de um bom tempo, tenho a minha casa, meu cachorro, meu fusquinha e minha cafeteira própria.
Para quem ia fracassar, até que estou indo bem.
Sabe como? Arriscando.
Escolher uma carreira é fácil.
À parte de escolher o seu agora, seus melhores companheiros, qual será o seu próximo passo e quem você será é que é difícil.

As pessoas dizem que é o Ensino Médio que transforma as pessoas.
Seus melhores amigos surgem ali. Seus grandes amores. A sua personalidade é moldada ali, mas é mentira. Cientificamente falando, nossas personalidades são definidos aos 24 anos, depois disso, é que ganhamos um selo de aprovação de Personalidade constituída. Óbvio, o tempo transforma as pessoas, mas se você é arrogante e taciturno com 24, você será com 55 anos. Dizem também que nossos gostos musicais são definidos com 24 anos, mas isso é assunto para outra pergunta – outro momento.
Para mim, a época que nos transforma é esse período da Universidade. Pois estamos com um pé no mundo real e outro no da imaginação. Pense só. Você escolhe uma carreira, vive em um lugar desconhecido com uma pessoa desconhecida com jeito e manias incomuns com você. Você? Você tem metas, quer trabalhar, ter seu dinheiro, estudar, tirar notas boas, tem um sonho. O meu era terminar meu romance e o seu pode ser viajar para Bali. Então, você trabalha para viajar para Bali. Esse é o seu pé no mundo da imaginação, enquanto o outro está na realidade em que você precisa estudar e trabalhar, para conseguir o que deseja. Nunca desistindo. As vezes quase. Levando murros da vida. Ganhando e perdendo amigos. Se apaixonando e cortando os cabelos quando um relacionamento acaba. Se apaixonando e mudando o tom dos cabelos quando o amor acaba. Se apaixonando ... Por si mesmo e descobrindo o que é amor. E assim ... você leva a vida. Acho que as pessoas, como em tudo na vida, somatizam muito a carreira como algo essencial na vida de alguém. É importante, mas não é fundamental. O fundamental é a pessoa que você vai se tornar durante o processo da vida. Uma carreira não define você. Como esse cigarro ... por que estou falando do cigarro? Porque vi aquela senhora me olhando com os lábios torcidos provavelmente pensando: uma mulher tão jovem se matando com essa coisa nojenta. Enquanto ela tem naquela sacolinha de mercado uma garrafa de vinho. Quem está se matando com o que? Esse cigarro não me define. Ele me molda. Ele pode sim me matar um dia, mas quem sabe? Talvez eu morra atropelada por um carro ou eletrocutada por um raio. Ou talvez, nem morra. Vai saber.
Acho que divaguei na resposta.
Não, estou vendo em seu olhar. Fui além que devia, você está perdido.
Não?
Bom, o que estou tentando dizer para você responder aí no seu questionário é que não é difícil escolher a carreira que queremos seguir, o difícil, e aceitar o que vem como conseqüência de uma escolha nossa. Seja na carreira, seja se vamos jantar hoje ou amanhã ou se aquele amigo é nosso amigo mesmo ou alguém que está nos empurrando para a danação. Isso, meu caro, a questão de escolher, infelizmente não estamos prontos.
Nem na hora de escolher uma carreira, muito menos em nenhuma outra área de nossas vidas.
Acho que esse é um dos grandes encantos de ser humano.
Nunca estar certo de nossas escolhas. Existe algo de mágico nisso. Não é?


Ann acredita que escolhas fazem ótimas histórias.
***
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9 comentários:

  1. O blog tem um conteúdo maravilhoso, o Layout é lindo *-*
    amei tudo, continue sempre assim se dedicando cada vez mais ao seu blog, beijos!

    http://nadaalemdecarols.blogspot.com.br/

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  2. cara eu acho difícil escolher o que eu quero pq sei lá, nao sei se vou gostar sabe mas acabei escolhendo minha profissão por esses tempos :)
    gostei muito, vou fazer prova agora meio do ano pra ver se passo|!

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  3. Nossa, não consigo concordar que escolher uma carreira é fácil. Ainda mais nos dias de hoje que existem tantas possibilidades que nos deixam loucos. Eu sou formada em Direito e não gosto da carreira que escolhi. Até hoje e talvez eu nunca venha decidir se quero fazer jornalismo, marketing, letras, produção editorial, teatro ou psicologia. Aff.. Invejo aquelas pessoas que nascem sabendo o que querem.. hehe Beijos, Mi

    www.recantodami.com

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  4. Escolhas. Minha vida atualmente esta se baseando nelas, ás vezes me sinto tão sufocado e o medo de errar e dar um passo em falso nos pega, nos estaguinando na vida. Carreira e sonhos, eu definitivamente invejo aqueles que conseguem conciliar essas duas coisas que pra mim são completamente distintas.
    Eu pretendia trabalhar, viajar e seguir meus sonhos, mais nada vem de graça e oque move o mundo é uma boa profissão. Ainda não decidi qual seguir e tenho aproximadamente um ano para escolhe-la, a pressão é enorme, mas o esforço maior *-*

    Beijoos,
    Lauro.

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  5. eu sempre achei saber oq queria ser, medica!! ate q cheguei na conclusao, aos 14, que iria ser um saco ser medica! estudar, conviver com pessoas em risco de vida e se alguem morresse perto de mim? eu choraria mais q muito familiares :/ iria viver triste, certeza!! entao percebi q nao faria medicina so pq ia ganhar bem e pensei.. oq eu gosto? biologia e comida: nutriçao \o/ entao desde os 14 eu sonhava com isso.. e 2013 foi meu ano de vestibular e consegui passar para a faculdade publica daqui para nutriçao *-* que era meu sonho!! passei pro curso q queria e pra universidade q queria... entao nunca achei dificil escolher nao kkkkkkk

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  6. Oi, você tem talento para escrever, adorei o texto, como você eu gosto muito de escreve e também optei por Jornalismo, não vejo a hora de começar a minha faculdade, espero não me decepcionar, e também tenho um pouco de dificuldade de escolher as coisas, demoro quase uma hora para escolher qual livro vou levar hahaha e concordo com você perguntas são horríveis, mas são necessárias.
    Beijos!!!

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  7. Que demais este texto...Com toda certeza é muito difícil esta escolha....As vezes pensamos que gostamos e quando vai chegando a hora da decisão vem as dúvidas e você fica com medo, cheio de cobrança e mais dúvidas. Creio que deve ser feito uma analise própria em relação aos seus gostos, prioridades, metas e realizações. Se temos dúvidas de um café que vamos tomar, imagina a carreira a seguir...
    Adorei seu texto de verdade!!!
    Beijos ♥

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  8. Cara, que texto mais profundo. Esse lance de escolhas é algo que nos segue por toda a vida, estamos sempre tendo que escolher alguma coisa, sempre perguntando... mas faz parte.

    Beijos

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  9. Escolhas.... porque é tão dificil falar sobre e tomar as escolhas certas né?
    É um tema muito emocional, principalmente para quem já tomou muito tombo.... gostei de verdade =)

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