31 de outubro de 2016

Tá Na Estante :: 'Fábrica de Vespas' #592

POSTADO POR EM 31 de outubro de 2016

Oi, gente. Tudo bem?


Minha ressaca literária ainda não me abandonou. Tenho lido cada vez menos por dia, mas consegui terminar um livro curtinho e hoje vim contar para vocês o que achei, além de encerrar nossa semana de Halloween. Vamos conferir?!

Livro: Fábrica de Vespas
Autor: Iain Banks
Editora: Darkside Books
Páginas: 240
Sinopse: Frank – um garoto de 16 anos bastante incomum – vive com seu pai em um vilarejo afastado, em uma ilha escocesa. A vida deles, para dizer o mínimo, não é nada convencional. A mãe de Frank os abandonou anos atrás; Eric, seu irmão mais velho, está confinado em um hospital psiquiátrico; e seu pai é um excêntrico sem tamanho. Para aliviar suas angústias e frustrações, Frank começa a praticar estranhos atos de violência, criando bizarros rituais diários onde encontra algum alívio e consolo. Suas únicas tentativas de contato com o mundo exterior são Jamie, seu amigo anão, com quem bebe no pub local, e os animais que persegue ao redor da ilha. Abandonado à própria sorte para observar a natureza e inventar sua própria teologia – a maneira do Robinson Crusoé de Daniel Defoe –, Frank desconhece a escola e o serviço social, já que seu pai acredita na educação “natural”, recomendada pelo filósofo do século XVIII Jean-Jacques Rousseau e apresentada em seu romance Emílio, ou Da Educação (1762), que sugere que as crianças devem crescer entre as belezas da natureza, permitindo que elas se deleitem com a flora e a fauna. A natureza humana seria boa a princípio, mas corrompida pela civilização. Quando descobre que Eric fugiu do hospital, Frank tem que preparar o terreno para o inevitável retorno de seu irmão – um acontecimento que implode os mistérios do passado e vai mudar a vida de Frank por completo.
Em Fábrica de Vespas vamos conhecer o perturbado Frank. Aos 16 anos, ele vive em uma ilha totalmente isolada com o pai. O patriarca é sua única companhia e o relacionamento dos dois não é do mais afetivo. A mãe o abandonou quando ele era apenas um menino e seu irmão mais velho, Eric, está internado em um hospital psiquiátrico, acusado de ter ateado fogo em cães e outras peculiaridades.



Frank passa seus dias desbravando o terreno e realizando alguns rituais bastante excêntricos. Ele, por exemplo, tem estacas sacrificiais espalhadas por aí, onde finca cabeças de animais mortos, como se fossem vigias. Além disso, seus hobbys incluem matar coelhos e outros animais pequenos, seja com seu estilingue ou apenas explodindo-os com bombas. Pouca coisa.

A vida do jovem garoto muda drasticamente quando seu pai lhe conta que Eric fugira do hospital. O homem acredita que logo ele será capturado outra vez e diz que não há motivos para preocupação. Mas a Fábrica de Vespas já havia dito a Frank que isso aconteceria e o garoto sabe que Eric irá até eles e esse encontro pode ser mais intenso do que todos previam.

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler.

Perturbador. Essa é a palavra que mais define a história de Fábrica de Vespas. Quando a Darkside Books ofereceu a obra pra resenha e vi se tratar de um enredo com crianças psicopatas, minha vontade de lê-lo aumentou. Depois da maravilhosa experiência que tive com Menina Má, um livro com essa temática parecia uma boa pedida. Mas devo dizer que os dois não tem nada em comum, já que o protagonista aqui deixa Rhoda Penmark no chinelo.



A obra inicia com um prefácio escrito pelo autor, falando que este sonhava em publicar um livro de ficção científica, mas após inúmeras recusas de suas obras, resolveu sair de sua zona de conforto e escrever um romance “comum, ordinário e chato”. Só tenho a dizer que se isso é o chato de Banks, imagina o legal!

A escrita do autor é simplesmente viciante. Mesmo com a ressaca literária me atrasando, me vi preso logo nas primeiras páginas e devorei o livro o mais rapidamente que meu ritmo permitia. Em certos momentos eu precisava parar um pouco a leitura e respirar, para assimilar o que aconteceu e me certificar de que aquilo não era real. Iain Banks conseguiu me chocar de uma forma que eu não esperava.

A narrativa é feita em primeira pessoa, sob a perspectiva de Frank. Entrar na mente desse personagem foi uma das experiências mais perturbadoras que já tive o prazer de testemunhar. Ele é completamente sem escrúpulos e remorso é uma palavra que não existe em seu vocabulário. Muitas vezes ele pôs a culpa de ser quem é na criação que teve, mas pode-se perceber que o buraco é bem mais embaixo.



Falando em personagens subversivos, o que posso dizer de Eric? Ele subjuga Frank de uma forma que não acreditei ser possível e conforme vamos descobrindo os motivos de sua internação no decorrer do livro, mais desconcertados vamos ficando. Acreditem, é de fazer qualquer um tremer.

O final foi uma grande surpresa, mas ainda não decidi se gostei ou não. Entendi onde o autor quis chegar com suas revelações e o desfecho, mas parece que faltou algo ali, como se seu único objetivo fosse aumentar o impacto da trama sobre o leitor, deixando coisas de fora. Não sei ainda.

É realmente necessário comentar sobre as questões físicas do livro? Não é, pois você já sabem muito bem o cuidado que a DarkSide tem, mas mesmo assim preciso comentar mais uma vez sobre esse trabalho magnífico. O livro tem uma capa fosca, sem título e completamente intrigante. A diagramação segue aquele padrão conhecido da editora, com ilustrações no início, páginas amareladas e marcador de páginas em cetim. Fontes, margens e espaçamento de bom tamanho e uma revisão com poucos erros.


Fábrica de Vespas é um excelente livro, que merece a atenção de vocês. Mas já adianto que se você se choca com facilidade e tem o estômago fraco, esse livro não é pra você. No entanto, não posso deixar de recomendar a história àqueles que quiserem se arriscar, porque vale a pena.

Beijos e até a próxima!
***
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8 comentários:

  1. Acho essa capa bem sinistra. Nossa Frank é um verdadeiro terror em pessoa, fiquei agoniada lendo a resenha nas parte das atrocidades que ele faz, coitado do animal que cruza o seu caminho rs. Curiosa com esse irmão dele fiquei me perguntando o que ele é capaz de fazer.

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  2. O que achei legal nele é que dá pra você entrar na mente do personagem, a narrativa parece ser muito boa nesse quesito. E deve ser bem perturbador mesmo. Quando vi achei a sinopse dele muito boa e parece ser um livro que mexe com os sentidos do leitor. Gostaria de saber agora o que acontece nesse final. Fiquei curiosa. Será que deixa assim meio confuso sobre gostar ou não? Hum...
    E de diagramação essa editora arrasa, então nem precisamos nos preocupar com isso né?! Queria ler.

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  3. Achei a sinopse bem interessante, mas não é o gênero de livro que leio, mas pra quem gosta de uma historia mais sombria acho que seria uma boa leitura.

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  4. Confesso que eu já estava interessada no livro pelo simples fato de ser da dark. Sim. hahaha E não tinha parado para ler nenhuma resenha e nem mesmo a sinopse. Saber, porém, que se trata de crianças psicopatas e que é mais sensacional que menina má fez com que o livro subisse pro top 3 de desejados da dark, sério mesmo.

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  5. Já tinha visto a capa do livro, mas não fazia ideia sobre o história. Nossa, pelo que li em sua resenha, o livro tem um tema bem pesado e chama atenção, pois quando se envolve crianças, nem um pouco inocentes, fica difícil não se interessar pela leitura. Fiquei com mta vontade de ler!!

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  6. Oi, Léo!!
    Gostei muito da resenha e a minha curiosidade em conhecer esse livro é muito grande!! Sem dúvida quero muito ler esse livro!! Essa edição estar muito legal!! Gostei muita da indicação!!
    Beijosss

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  7. Eu estou louca (louca mesmo) para ler esse livro. Típico gênero que mais aprecio. Psicodélico.
    Os livros da Darkside são incríveis...em todos os aspectos.

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  8. Acabei de lê-lo. E achei uma história incrível. Mas parto por um lado diferente da maioria, não achei Frank assim tão aterrorizante. Ao decorrer da história, vemos que os acontecimentos na vida de Frank o levaram até o ponto em questão, e vamos admitir, foram acontecimentos bem peculiares.
    Realmente o final deixa algo a desejar. Não pela revelação em si, mas caberia algo a mais.

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