15 de novembro de 2016

Tá Na Estante :: 'Confissões de uma Garota Excluída, Mal-Amada e (um pouco) Dramática' #602

POSTADO POR EM 15 de novembro de 2016

Heeeey, gente. Tudo bem?

Hoje vou contar um pouquinho sobre um Infanto-Juvenil que li esses dias e que vocês tanto me pediram resenha. Bora lá?
Livro: Confissões de uma Garota Excluída, Mal-Amada e (um pouco) Dramática
Autora: Thalita Rebouças
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Sinopse: Tetê acaba de se mudar com a família toda para Copacabana, no Rio de Janeiro, para a casa dos avós. O lindo e espaçoso apartamento da Barra da Tijuca em que morava teve que ser vendido, pois com a crise o pai foi demitido, e o resultado é que a vida dela virou de cabeça para baixo. Além de perder a privacidade, tendo que dividir o espaço com cinco parentes malucos que brigam o tempo todo, ela perdeu todas as suas referências. A única coisa que a deixa feliz é cozinhar. E, claro, comer as delícias que faz. O lado bom foi se livrar do antigo colégio, no qual sofria bullying por causa de seu jeito peculiar. Sem contar sua desilusão amorosa... O problema é que ela está apavorada, porque agora tudo será novo e estranho, com o ensino médio, com a nova escola, e sem conhecer ninguém. E morre de medo de ser excluída ou de sofrer bullying novamente. Ela está bem mal, para dizer a verdade. Ou talvez seja um pouco de drama, porque já no primeiro dia as coisas parecem ser um pouco diferentes... Pelo jeito, tudo vai mudar, e para melhor.
Teanira, ou simplesmente Tetê, tem 15 anos e está vendo sua vida mudar drasticamente. Após o pai perder o emprego, ela precisa mudar-se da Barra para Copacabana, onde vivem os avós. Sua família não é das mais fáceis de lidar. Os pais estão à beira do divórcio, a avó mete-se demais em sua vida, o bisavô divide o quarto com ela e não a deixa dormir de tanto que ronca... A única pessoa que se salva é seu avô, que é um grande parceiro da menina.


Como se não bastasse, a mãe de Tetê acha que é ELA quem precisa de um terapeuta. Caramba, ela é uma adolescente normal, que gosta de músicas tristes, curte a fossa como ninguém e que adora cozinhar - e desfrutar de seus dons culinários, o que a faz ganhar uns quilos, mas quem se importa?



A verdade é que Tetê nunca teve muitos amigos e sempre sofreu bullying, tanto na escola quanto na própria casa. Ela sempre foi alvo das chacotas por ter uma aparência um tanto desleixada e sofreu mais ainda quando teve sua primeira decepção amorosa, ao dar em cima de um garoto que acreditava gostar dela e ele rejeitá-la.

Tudo isso somado só baixou ainda mais a auto-estima da garota e essa mudança de bairro, e consequentemente de escola, só fará com que as piadinhas mudem de endereço. O ano letivo está prestes a começar e Tetê morre de medo do que está por vir.  Todavia, o primeiro dia de aula na escola nova é bem diferente do que ela poderia imaginar. Logo ela faz amizade com um garoto nerd e começa a pensar que pode se sentir parte de algo pela primeira vez. Isso até ela se apaixonar pelo garoto mais bonito da escola.

Se não tivesse drama, não seria Tetê. Não basta o garoto ser lindo e querido, ele tinha que namorar a menina mais irritante da escola, uma patricinha totalmente arrogante e nojenta. Determinada a mostrar para o boy que ela é melhor, Tetê mudará o visual e sua postura e começará a chamar atenção pela primeira vez na vida de uma forma positiva. Mas será que vai atrair os olhares certos?

***

Quando eu vi esse livro dentre os lançamentos da editora Arqueiro, foi amor à primeira vista pela capa. Já tinha lido algumas obras de Thalita Rebouças e gostado e essa parecia bastante promissora. Contudo, quando o livro lançou, vi várias críticas negativas e fiquei ressabiada quanto à leitura, tanto que adiei o máximo possível. E mesmo assim foi uma decepção.



A escrita de Rebouças é leve e fluida, mas não consegui criar conexão com a história. Narrado em primeira pessoa, sob a perspectiva de Tetê, o livro mostra que a protagonista não é só muito dramática, é irritante e exagerada. Precisei me controlar várias vezes para não jogar o livro longe e seguir na leitura.

Porém, o que mais me incomodou na história de Thalita foi aquela velha questão do esteriótipo. A protagonista é aquela garota que não se encaixa nos padrões e que é alvo de chacotas. Muda de escola, muda de vida e passa por um extreme makeover, porque ser bonita é sinônimo de ser legal. Gente. Para que tá feio!

Além disso, temos o Zeca, um personagem homossexual que também se encaixa no esteriótipo do melhor amigo gay, cheio de trejeitos e todo afetado e escandaloso. Sonho com o dia que os personagens gays não serão tratados dessa forma na literatura nacional, mas parece que vai demorar para isso acontecer.

Mas nem tudo no livro é ruim. Thalita criou um núcleo com o novo amigo de Tetê, Davi, e sua família que passa grandes lições e até conseguiu me emocionar. Ele mora com os avós desde que perdeu os pais e esse cenário apresenta grandes reflexões sobre a vida. Adorei.



O final me incomodou também, porque achei realmente que Thalita inovaria e deixaria Tetê descobrir o amor-próprio sozinha, sem precisar de um boy magia para ajudá-la nisso. Caramba. Em uma sociedade com o feminismo tão em alta, é triste ver um livro adolescente alimentando essa coisa de que precisamos dos homens para nos sentirmos completas.

Sobre a edição, a Arqueiro caprichou bastante. A capa é bastante atrativa e a diagramação está maravilhosa, com desenhos especiais nas mensagens de WhatsApp trocadas e nas receitas criadas por Tetê. As páginas são amareladas, a fonte é grande e a revisão está impecável, como todos os livros que leio da editora.

Confissões de uma Garota Excluída, Mal-Amada e (um pouco) Dramática foi uma grande decepção pra mim e não consigo recomendar a leitura. Contudo, essa é minha opinião e peço que leiam para tirar suas próprias conclusões. Vai que...

Beijocas e até a próxima!!!
***
Esta postagem está concorrendo ao TOP COMENTARISTA.
CLIQUE AQUI e saiba como participar!

8 comentários:

  1. Oi Bárbara, tudo bem?
    Poxa, eu achei algumas coisas clichês ao ler a sinopse e ao ler a resenha só confirmei o que eu estava pensando. Me encantei pelo livro logo de cara pela capa, mas os clichês e os estereótipos me deixaram bem desanimada.
    Talvez eu goste se fizer a leitra, mas por enquanto não pretendo.
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Ainda não conheço a escrita da autora, pela resenha deixa muito a desejar, por ter fatos que acontecem com os jovens ou já aconteceu com nós mesmos, seus medos e inseguranças, dilemas e tudo mais poderia ter sido melhor trabalhado. A personagem poderia ser mais confiante, acho que beleza vem de dentro.

    ResponderExcluir
  3. A capa é realmente linda e no início da resenha achei a história um pouco interessante. Mas confesso que ao ver que o livro é cheio de esterótipos fiquei decepcionada. Já ouvi diversos comentários positivos sobre essa autora e suas obras então eu esperava mais dela..

    ResponderExcluir
  4. Bárbara!
    Devo concordar com toda sua análise e ponto de vista.
    Como ainda achar que para sermos felizes ou sermos alguém temos de ter um homem maravilha ao nosso lado, né?
    Pelo visto, de bom mesmo no livro, só as receitas da Tête...kkkkkkk
    “Não há nada que faça um homem suspeitar tanto como o fato de saber pouco.” (Francis Bacon)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de NOVEMBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

    ResponderExcluir
  5. Já passei pela adolescência há um tempo, mas de vez em quando gosto de fazer uma leitura que me faz mergulhar em todo o drama que esta fase carrega. Pelo jeito Tetê tem tudo ao seu favor (ou melhor dizendo contra) para todo o bullying que sofre. É só olhar para a vida dela, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e quando se tem 15 anos tudo se amplifica.
    Já ouvi falar muito da Thalita Rebouças, mas ainda não tive a oportunidade de ler nenhum de seus livros!!

    ResponderExcluir
  6. Oi Barbara,
    Como não faço parte do público-alvo do livro quando vi o lançamento não fiquei com vontade de ler, esse tipo de trama bem adolescente e superficial não me atrai nem um pouco. Realmente essa leitura não é uma boa dica para se recomendar para os adolescentes e leitores em geral, onde muitos aprenderam a julgar pelas aparências, esse estereótipo de ser perfeito que história passa é bem desanimador. O que mais me chama a atenção em livros com trama jovem é a parte reflexiva, e pelos comentários que já li essa parte é bem fraca (inexistente?) nem livro. Não tenho vontade e ler esse livro.
    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Oi, Barbara!
    Ainda não conheço a escrita da autora, mas por tudo que você comentou, não fiquei interessada em ler esse livro.
    A sinopse já não me chamou a atenção, mesmo porque esse estilo de leitura não é dos meus preferidos.
    Sua resenha está ótima, como sempre. Obrigada por sua sinceridade.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  8. Oii Bárbara, o livro me pareceu ser ótimo.. Porém não é um daqueles livros que me despertaram a vontade louca de os ler, principalmente por ser voltado mais a garotas.

    ResponderExcluir