6 de outubro de 2017

Tá Na Estante :: 'O Conto da Aia' #699

POSTADO POR EM 6 de outubro de 2017

OI, TUDO BEM, MATES?

LIVRO: O Conto da Aia
AUTORA: Margareth Atwood
EDITORA: Rocco
PÁGINAS: 368
SINOPSE: Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.
O Conto de Aia tem sido um dos assuntos mais comentados desde o lançamento da série pelo streaming Hulu. O boom foi tão grande que foi inevitável o renascimento do sucesso literário de 1985 por entre os leitores.

E não pense que esse boom aconteceu apenas por conta do sucesso da série. Não. Foi um dos motivos, mas de todo modo, um motivo aclamado. Esse livro precisa ser lido, não apenas por ter potencial de clássico, como pela sua mensagem. Sem fazer comparações com a série, focaremos aqui a leitura do livro.

O livro narra um futuro próximo onde o ser humano (adivinha?) faz besteiras com potencial de acabar com a sociedade que nós conhecemos. Por conta da poluição e radiação, a maioria das pessoas são estéreis. Os anticoncepcionais agravaram essa situação. Com o mundo despedaçando, as mulheres perderam os seus direitos. O governo agora ditatorial tem a religião ao seu lado, assim, qualquer ação é justificada através da Bíblia. Existem poucas mulheres ainda capazes de procriar e elas vivem em exílio com a única função de repovoar a comunidade.

Gilead é o nome dessa nova sociedade. As mulheres são separadas em castas: aias, esposas, marthas, econoesposas e tias. As esposas pertencem a burguesia. As aias são as barrigas de aluguel. As Marthas são as donas de casa. As econoesposas são pobres e as tias as educadoras. Hierarquicamente, as mulheres casadas, inférteis e com posses são quem comandam as aias. As esposas são casadas com homens férteis que serão os semeadores dessas aias.

Offred (nome delegado a aia do Comandante ao qual ela é delegada. No caso da protagonista of Fred significa "pertence ao homem chamado Fred") narra a história. Ela é uma aia e sua função é procriar com um homem casado do alto escalão do exército, amamentar e entregar a criança ao casal, ao qual a escravizou.

As roupas vermelhas representam a fertilidade delas. O chapéu tem a função de obrigá-las a não olhar para cima. Condicionadas assim a olhar para baixo, submissas e também, não podem ser olhada por outros. Elas são intocáveis e podem apenas ter contato com os seus comandantes.

Em um primeiro momento, ela narra sua história comparando com o seu passado. Ela tem uma família e o que a mantém sã é a esperança de ter qualquer tipo de contato com eles. Existem pessoas contra as atrocidades desse governo e Offred nos conta essa história.

É um livro difícil. Não é difícil de ler ou de compreender, mas sim, é um livro difícil por estar tão perto da nossa realidade. O livro é classificado como distópico, mas até que ponto a realidade por trás da obra está distante da nossa? Não vivemos em um regime ditatorial, mas a sociedade tem um ar particularmente tenebroso sobre a mulher e ele muda de cultura a cultura. A opressão, o abuso físico e moral e até mesmo a toxicidade por trás dos relacionamentos estão presentes em nossa sociedade atual, mas mascarados.

Não recomendo esse livro a todos. É complicado. É um livro excelente, mas é difícil. Ele precisa de timing. Ele pode engatilhar algumas pessoas, como também pode fazer mal no emocional de outras. Sua intenção é causar esse embrulho no estômago e impulsionar a reflexão.

No mundo de O Conto de Aia, você estaria aonde, na submissão ou pronta para conquistar o que é seu por direito?

Kisses and see you soon!
***
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11 comentários:

  1. Não sei se conseguiria ler.
    Por ser um livro mais complexo, talvez eu não conseguisse compreende-lo.
    Gosto de livros mais leves e divertidos.
    Porém um livro que fala muito da realidade sempre é bom de se ler.
    Beijos

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  2. Eu já li alguns comentários referentes a este livro, e apesar de gostar de distopias achei a história deste livro bem forte, e como você citou em sua resenha, não é uma leitura recomendada a todos, então não sei se no momento eu leria O Conto da Aia, quem sabe futuramente.

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  3. Bárbara!
    Em época de empoderamento feminino, esse livro parece ser um choque.
    Mesmo que seja uma distopia, ver tamanhas atrocidades serem empretadas as mulheres e aos menos favorecidos, causa certa repugnância.
    A verdade que mesmo com toda 'conspiração' por traz do regime e todo sofrimento, quero ler.
    Desejo um ótimo final de semana!
    “Saber quando se deve esperar é o grande segredo do sucesso.” (Xavier Maistre)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  4. Embora seja um livro, uma distopia, a realidade retratada no livro, não está tão longe de nossa realidade, a não ser que façamos alguma coisa para que isso não venha a acontecer. Gostei da resenha.

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  5. Oi Bárbara,
    Mesmo se tratando de uma distopia é impossível não vermos elementos da nossa realidade retratados neste livro de uma forma mais extrema e isso é bem chocante. A mulher ser tratada como um objeto trás um peso para a trama. Offred precisa lidar com sua nova realidade e a sociedade não leva em conta que ela é uma pessoa com sentimentos e teve que abrir mão de sua liberdade sem direito a escolhas. Me sinto comovida com a protagonista, mesmo sem ter lido o livro, pois sua história remete a tantas outras verídicas. Não conhecia este livro, mas estou bem tentada a lê-lo mesmo sabendo que será uma leitura difícil de digerir.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. O tema do livro é realmente bem forte, embora o livro não reflita propriamente a nossa realidade (ainda bem!), é angustiante. Penso na nossa luta pelos direitos iguais, em como o nosso espaço é conquistado aos poucos, e, mesmo assim, tendo de ouvir tantas atrocidades.
    Acredito que mesmo sendo uma leitura difícil, vale a pena dar uma chance e conhecer a história de Offred e de todas as mulheres a sua volta.
    A sua resenha ficou ótima, parabéns.

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  8. Assisti a adaptação e estou há meses criando coragem pra encarar o livro. Não sei, vi absurdos na série, mas acho que a história contada pelo livro deva ser pior, com mais detalhes, mais situações e isso não é encorajador.
    "O governo agora ditatorial tem a religião ao seu lado, assim, qualquer ação é justificada através da Bíblia." Não é assustador que algo publicado há tanto tempo seja tão atual?

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  9. Eu nao curto muito distopias mas esse é um livro que eu leria apesar do tema ser bem forte, adorei sua resenha, bjos

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  10. Oi! A cada resenha que leio sobre esse livro, minha vontade de pega-lo para ler só aumenta! Eu amo distopias, e fiquei super curiosa para conhecer essa realidade que infelizmente não está tão distante assim. Concordo que essa obra não é para qualquer um, mas espero ter estômago forte para o conteúdo pesado. Beijos

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  11. aaaa esse livro ta aqui ma estante e ainda nao sei pq nao li rs. Sei que vou gostar muito e quero ler pra poder ver a serie. Tem tudo pra ser bom, amo distopias.

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