22 de março de 2018

Tá Na Estante :: 'Quando Saturno Voltar' #771

POSTADO POR EM 22 de março de 2018

Olá, pessoal!

Quando se está à beira dos trinta, crises de identidade são normais. Mas e se a sua vida mudasse completamente e tudo fosse culpa de Saturno, o que você faria? 


Livro: Quando Saturno Voltar
Autora: Laura Conrado
Editora: Globo Livros
Páginas: 185
Sinopse: Laura Conrado conta história envolvente e divertida sobre aceitar mudanças inesperadas e seguir em busca da felicidade. Em seu novo romance, Laura Conrado conta a história de Déborah Zolini, uma jornalista sonhadora e fã de Pablo Neruda que trabalha como assessora de imprensa de um clube de futebol da segunda divisão e namora o médico Sérgio há quatro anos. Ela faz planos de construir uma vida a dois, arrumar um emprego melhor e correr atrás de desejos que ainda não realizou. Só que a vida, ou as estrelas, guardam surpresas para Déborah. Em uma viagem ao Chile, ela encontra uma mulher misteriosa que lhe fala sobre o retorno de Saturno. O planeta, que leva, em média, 29 anos para dar uma volta no sistema solar, voltará à posição em que se encontrava quando a jornalista nasceu. Para quem acredita em astrologia, esse é momento em que as pessoas passam por várias mudanças, que vão prepará-las para encarar o resto de sua vida. Déborah não leva a moça muito a sério, mas pede às estrelas que a ajudem a realizar seus desejos. No entanto, no voo de volta ao Brasil, um encontro inesperado começa a abalar a vida aparentemente certinha da protagonista. Aos poucos, Déborah começa a notar que seu namoro anda meio morno, a falta de reconhecimento no trabalho a incomoda. Ela começa a admitir que não está gostando do rumo que as coisas estão tomando. Será a hora de partir para novos desafios? Trocar aquele relacionamento confortável pelo frio na barriga? Sair de vez da zona de conforto e ver o que acontece? Com uma prosa leve e bem humorada, Laura Conrado criou um romance cativante sobre perseguir os próprios sonhos e a coragem necessária para ser feliz. Leitores que ainda não chegaram ou já passaram pelo retorno de Saturno vão se emocionar com essa história.

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Déborah Zolini acredita que sua vida está sob controle. Ela é assessora de imprensa do Tricolor Associação Esportiva, o Taes, um time de segunda divisão, mas acha que é melhor ter o emprego ainda que ele não seja o dos sonhos; namora com Sérgio, um médico residente, super estudioso e que, cá para nós, parece morar no Alasca de tão frio que é; e, para completar, Dedé acha que ainda não deve conquistar sua independência total e sair da casa dos pais, aceitando que é melhor conviver com as brigas constantes destes e as mágoas do passado.

Em uma viagem a Santiago, no Chile, Déborah é surpreendida por uma camareira-cigana-vidente que lhe diz quais mudanças estão prestes a acontecer em sua vida. Tudo parece difícil de acreditar, mas assim que volta ao Brasil Dedé percebe que nada está sob controle e que Saturno pode sim interferir em sua vida. Ao desembarcar em Belo Horizonte, ela conhece um moreno tentação e a química entre os dois é incrível. O grande problema é que Dedé tem namorado, está toda enrolada com essas surpresas de Saturno e ainda precisa dedicar seu tempo, amor e energia a alguém muito especial. Assim, ela aprende que o amor próprio é mais do que fundamental. 
Quase ninguém se importa com Saturno, só com seus anéis, assim como na vida poucas pessoas se importam com a verdade da alma. Estão todos ocupados demais vestindo o cuerpo.
Quando iniciei a leitura do livro não imaginava que ficaria tão apaixonada pelo enredo e as personagens. Li em pouquíssimas horas e fiquei com ressaca, querendo mais. Já tinha lido Na Minha Onda, outra obra da autora e que também é super divertida, mas Quando Saturno Voltar superou todas as minhas expectativas. 

Dedé é a personagem principal que cativa simplesmente porque tem defeitos e qualidades, é "gente como a gente". Sua autoestima ainda está sendo moldada, a insegurança se faz presente, as atitudes e  os erros de sua família influenciam, ainda que de maneira inconsciente, sua vida e seu namoro é algo problemático. Algumas vezes desejei que ela percebesse, o mais rápido possível, os problemas de seu relacionamento com Sérgio e a maneira como a família inescrupulosa e proprietária do Taes agia. No entanto, apesar de todas as evidências óbvias, Dedé se deixava levar pela falsa segurança que seu namoro e emprego possuíam. Com isso, foi inevitável não pensar em quantas vezes nos abdicamos de fazer algo por receio ou por achar que as mudanças podem ter um impacto negativo. O bom disso tudo é que em algum momento conseguimos despertar para a vida, e foi justamente isso que aconteceu com Déborah, que percebeu o quanto ela negava a si mesma diante das pessoas com as quais convivia. Ao se deparar com a necessidade da mudança, Déborah não se opõe e, mesmo que isso de alguma maneira a machuque, ela luta contra o medo.
Ninguém é somente mau ou somente bom; passamos por maus e bons momentos. 
A maior parte das personagens são tão amáveis quanto Dedé e merecem destaque, pois a forma como foram construídas gera uma simpatia instantânea. Percebemos que, assim como Déborah, muitas delas têm medo de viver o que realmente desejam, escondidas sob uma falsa armadura protetora, sempre fugindo. Contudo, esta história expõe muito sobre a importância de dar uma chance a si mesmo através de diversas perspectivas. Durante a leitura, compreende-se que cada um ao seu modo se desfaz das próprias barreiras estabelecidas, tomando decisões sobre coisas que, até então, eram ignoradas. O legal desse livro é que podemos refletir sobre todas as personagens, mesmo que a história seja narrada sob o ponto de vista da Déborah, pois assim como esta elas também vivenciam a autodescoberta.

Ao longo da leitura, nota-se que o ponto alto da narrativa é a imprevisibilidade. No início do livro achei que as coisas seriam bem óbvias, mas em determinado momento pensei: "caramba, tudo pode acontecer. Será que vou gostar do final?!" E esse é o bacana na história e o que prende a leitura até o final. 
Quantos momentos históricos perdi com medo da derrota? De quantas disputas fugi por medo de não suportar o resultado?
Quando Saturno Voltar apresenta o romance de um jeito pouco convencional e que me fez  pensar que isto foi, simplesmente, genial. Antes de viver o amor ao lado de um homem especial, ainda que para isso tenha tido seu coração partido, Dedé permite amar a si mesma, se conhecer. Ela quebra a cara sim, por não ter aprendido nada com as experiências do passado, mas também compreende que nunca tinha se permitido romper com vários paradigmas, vivenciar aventuras, muito menos descobrir  que a solteirice é uma oportunidade para conhecer pessoas legais e, principalmente, para focar em si mesma. 
Ter os sonhos esfacelados pode ser bom: dá para sonhar outros.
A escrita da autora é bem dinâmica, com toques de humor que garantem gargalhadas, mas também possui quotes lindos que nos faz refletir, quase que de maneira poética, não apenas sobre a Dedé, mas também sobre as nossas próprias atitudes, vidas e mudanças. Além disso, a cada capítulo somos presenteados com a poesia de Pablo Neruda, figura bem presente na obra. O amadurecimento da Déborah também é algo bonito e gradual; ela cresce enquanto filha, irmã, amiga, de maneira pessoal e também profissional. Ainda que não tenha entendido, à princípio, sobre as coisas boas e ruins com as quais Saturno a presenteia, Dedé compreende que tudo faz parte do processo natural da vida e que, às vezes, essas guinadas são mais do que necessárias para que saibamos que sempre devemos nos permitir.

Um grande beijo e até a próxima!
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2 comentários:

  1. Gosto desses livros com escrita dinâmica e eu já ouvi a editora falar sobre esse livro. Adorei essa capa e a diagramação desse livro e gente que historia mais linda do ceú. Adoro astrologia então esse livro realmente me empolgou e parece ser um livro nacional bom interessante

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    1. Realmente, a diagramação do livro é linda e a história bem divertida e envolvente. Vale muito a pena ler!!!

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