7 de maio de 2018

Tá Na Estante :: 'A Luz que Perdemos' #781

POSTADO POR EM 7 de maio de 2018

Olá, pessoal!


Que tal conhecer um romance marcado por encontros e desencontros?
Livro: A Luz que Perdemos
Autora: Jill Santopolo
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Sinopse: A luz que perdemos é um romance impactante sobre o poder do primeiro amor. Uma ode comovente aos sacrifícios que fazemos em nome dos nossos sonhos e uma reflexão sobre os extremos que perseguimos em nome do amor. Lucy e Gabe se conhecem na faculdade na manhã de 11 de setembro de 2001. No mesmo instante, dois aviões colidem com as Torres Gêmeas. Ao ver as chamas arderem em Nova York, eles decidem que querem fazer algo importante com suas vidas, algo que promova uma diferença no mundo. Quando se veem de novo, um ano depois, parece um encontro predestinado. Só que Gabe é enviado ao Oriente Médio como fotojornalista e Lucy decide investir em sua carreira em Nova York. Nos treze anos que se seguem, o caminho dos dois se cruza e se afasta muitas vezes, numa odisseia de sonhos, desejo, ciúme, traição e, acima de tudo, amor. Lucy começa um relacionamento com o lindo e confiável Darren, enquanto Gabe viaja o mundo. Mesmo separados pela distância, eles jamais deixam o coração um do outro. Ao longo dessa jornada emocional, Lucy começa a se fazer perguntas fundamentais sobre destino e livre-arbítrio: será que foi o destino que os uniu? E, agora, é por escolha própria que eles estão separados?
Lucy e Gabe se conhecem na universidade, no fatídico dia 11 de setembro de 2001, quando um atentado terrorista atinge as Torres Gêmeas em Nova York. O encontro, marcado pela tragédia, faz com que os dois jovens conheçam o amor mesmo que, naquele instante, não possam vivê-lo. Ao longo dos anos o casal vive inúmeros desencontros, mas também tem a oportunidade de concretizar o sentimento que os domina. 

O relacionamento parece ideal até Gabe perceber que não se sente realizado da maneira como gostaria, o que o leva a tomar sérias decisões pessoais e profissionais. A vida leva Lucy e Gabe para caminhos distintos, com muito mais desencontros do que encontros por algum tempo. Contudo, será que o amor pode ser superado mesmo quando cada um tem sua vida bem estruturada? Como fugir daquilo que sempre pareceu ser seu?

Este é um livro que pode ser amado ou odiado porque, sem dúvida, provoca inúmeras reações e sentimentos no leitor. Embora o foco central da narrativa pareça ser o romance complicado entre Lucy e Gabe, acredito que há um drama permeado pelos altos e baixos naturais da vida, pela maneira na qual ela se configura, muitas vezes, não do jeito que desejamos, mas de um modo necessário para nos tornar mais fortes diante das circunstâncias e capazes de reconhecer as motivações que induzem as nossas escolhas.

A Luz que Perdemos é uma obra que foge do convencional na medida em que propicia ao leitor pensar não apenas nas escolhas dos personagens, mas no modo como seguimos com as nossas próprias vidas. Além disso, o livro é narrado em segunda pessoa, com a Lucy expondo cada momento importante em sua vida desde que ela e Gabe se conhecem, como se ela dialogasse com este.

Contudo, por mais que Lucy tenha como receptor o Gabe, é como se o leitor fosse colocado no lugar dele, sentisse as dores da Lucy, o peso das decisões do casal, as fugas do Gabe; de alguma maneira, é como se ao mesmo tempo em que fosse possível sentirmos raiva pelas escolhas de Gabe, o entendêssemos, sabendo que tudo era necessário porque mesmo que amasse a Lucy, ele possuía uma necessidade fremente de ter a sua autorrealização. O destaque também vai para o título do livro, ambíguo o suficiente para, ao final, ser possível questionar: qual das "luzes" foi perdida? É quase uma questão metafísica.

Espero que você encontre um amor assim, que seja absoluto e poderoso, que faça você se sentir meio louco. E, se você encontrar esse amor, agarre-o. Prenda-o. Ao se doar a um amor assim, seu coração irá sofrer. Será machucado. Mas você poderá se sentir imortal e infinito.

A linguagem da obra é leve, mas a carga emocional e psicológica é intensa, de maneira que, por mais que o leitor não concorde com as atitudes dos personagens, é possível entendê-los, encontrar razões para as escolhas deles. É um livro desafiador em diversos aspectos mas, em especial, porque o leitor se depara com personagens demasiadamente humanos, que ora fazem escolhas erradas e equivocadas, ora aprendem, se permitem amar e buscar aquilo que desejam. Em vários capítulos alguma tragédia real é comparada à vida de Lucy e confesso que isso pareceu um pouco forçado.

No início da narrativa, Lucy é uma jovem que sonha em deixar sua marca no mundo e, muito por conta de Gabe, passa a acreditar em uma carreira que une o que ela gosta de fazer à chance de permitir que crianças possam crescer já problematizando sobre as questões sociais.

Um ponto relevante a ser comentado é o fato de Lucy acreditar muito pouco em si mesma e superestimar o Gabe diversas vezes. Por mais que ao longo dos anos e com as responsabilidades ela amadureça, o mundo de Lucy é centrado no de Gabe a ponto de incomodar durante a leitura. Em todos os momentos ela só pensa nele; nas decisões e nos acontecimentos da sua vida Lucy permanece apegada ao amor que sente por Gabe.

Tive a leve sensação de que Lucy anulava parte da vida por causa dele e até quando conhece Darren, casa com ele e constrói uma família, Lucy faz comparações entre o marido e Gabe em 90% da leitura. Este fato irritou bastante e algumas vezes desejei invadir a história e dizer: "Lucy, já estou cansada de saber que eles são diferentes, que Gabe é um artista, levado às emoções enquanto Darren é racional, um planejador nato. Afinal, estou lendo o livro".

É claro que Darren, como qualquer humano, tem qualidades e defeitos, chega até mesmo a subestimar a carreira de Lucy, mas qualquer leitor conseguirá perceber que Gabe também faz o mesmo, então, ambos não são o espécime de príncipe encantado que, felizmente, não existe. Por isso, Lucy não me cativou em nada, em momento algum. Ela era quase a sombra do Gabe, disposta a esperá-lo pelo tempo que fosse preciso.

Você pensou por algum instante como sua escolha iria me afetar? Terei que viver com isso pelo resto da vida, Gabe.

O fotojornalista Gabe, que decide largar a vida em Nova York e, consequentemente, deixar para trás o amor de Lucy, ainda sofre com os acontecimentos do passado, as atitudes do pai e a maneira como precisou amadurecer tão cedo. Ainda assim, ele é um sonhador, alguém capaz de ver algo de bom em meio ao caos e a dor, extrair a beleza dos pontos mais sombrios.

Contudo, Gabe se mostrou egoísta e o tipo de pessoa que acha que pode tomar decisões sem diálogo. Algumas vezes, é como se a Lucy fosse descartável na vida dele. Gabe não me agradou e questionei muito o porquê de a Lucy amá-lo tanto e estar disposta a tudo por ele quando Gabe não faria o mesmo.

O ponto ápice da história, e que também me incomodou muito, foi o fato de Lucy ter uma conclusão precipitada e, a partir disso, agir sem pensar nas consequências. Esta atitude dela gera um efeito que impacta o leitor e modifica todo o andamento da história. Como se não bastasse, uma tragédia acontece na região onde Gabe trabalha e Lucy é quem tem que decidir algo que impactará totalmente em sua vida e na do amado. Os últimos 10% do livro são eletrizantes porque nos levam a questionar muitas coisas, a sofrer junto com a Lucy e a pensar no futuro dos personagens.

 Mesmo que algumas coisas tenham me incomodado na leitura, gostei muito do livro e ele vale a pena para aqueles que gostam de experimentar diferentes sensações e emoções com uma obra. O epílogo, então, é surpreendente e  garante um final aberto à narrativa, concedendo ao leitor o papel de possível coautor da história ao imaginar desfechos distintos. Para quem gosta de livros desafiadores e que levam muito à reflexão e empatia, conhecer A Luz que Perdemos é essencial.


Um grande beijo e até a próxima!

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