Oi, gente. Tudo bem?

Estou de volta com mais uma resenha para vocês. Dessa vez vim contar o que achei de uma fantasia nacional, lançada no mês passado pela Suma e escrita pelo meu irmão Increasyano, Gabriel Tennyson. Vamos conferir?!
Livro: Deuses Caídos
Autor: Gabriel Tennyson
Editora: Suma
Páginas: 288
Sinopse: Em Deuses caídos, Gabriel Tennyson nos leva em uma investigação sombria e grotesca, percorrendo os cantos escuros do Rio de Janeiro, onde as sombras têm olhos e garras, e de onde o leitor desavisado pode nunca escapar. Um serial killer com poderes paranormais está assassinando evangelistas famosos — e os vídeos de cada um deles sendo torturados ganham cada vez mais público na internet. O assassino se proclama o novo messias, e os pecadores devem temer sua justiça. O que a Sociedade de São Tomé teme, no entanto, é que ele acabe com o trabalho de séculos de manter o sobrenatural bem afastado da consciência da população, embora seres mágicos povoem o submundo da cidade. Para garantir que o assassino seja capturado e o máximo de discrição mantida, a Sociedade convoca Judas Cipriano — um padre indisciplinado, descendente de são Cipriano e herdeiro de alguns poderes celestiais. Veterano nesse tipo de caso, o padre é enviado para trabalhar como consultor da Polícia Civil e fica responsável por apresentar à jovem inspetora Júlia Abdemi o lado místico da cidade. Para resolver o caso — e sobreviver —, os dois precisarão de toda ajuda que puderem encontrar. O que inclui se unir a uma súcubo imortal, um dragão chinês traficante de armas mágicas e um gárgula que é a síntese da sociedade carioca. Com protagonistas cativantes, um vilão extraordinário e criaturas sobrenaturais reinventadas de maneiras sombrias, Deuses caídos une o melhor do thriller e da fantasia urbana em uma investigação vertiginosa com um final épico.
Judas Cipriano é um padre bastante fora do comum. Para começar, ele é filiado à Sociedade de São Tomé, uma organização que busca neutralizar ameaças e manter o equilíbrio entre o mundo dos humanos e o sobrenatural. Para isso, ele faz o que for necessário, desde exorcismos até pactos com criaturas sombrias. Não o bastante, Cipriano também é o completo oposto do que um padre ‘deveria’ ser, com gostos peculiares e preferências sexuais ‘pouco ortodoxas’.
Em Deuses Caídos vamos conhecer um assassino serial killer, que está matando figuras religiosas famosas. Não se consegue identificar nada a respeito desse vilão, mas sabem que ele só pode ser um ser das trevas e por isso Judas é chamado para o caso. O assassino transmite seus feitos em lives no YouTube e a quantidade de likes e dislikes é o que define se a vítima vive ou morre.
Para ajudar Judas na investigação, é recrutada a policial Júlia. Ela deixou o campo há alguns anos e trabalha apenas na parte de informática e análise de sistemas da delegacia. Contudo, a Sociedade de São Tomé tem um grande interesse na moça, principalmente em uma característica peculiar dela, e querem que Cipriano a recrute aos poucos, apresentando a outra vertente do mundo que ela conhece.

Júlia e Cipriano formam uma dupla bem controversa, mas aos poucos vão encontrando uma forma de trabalhar juntos. Com ajuda de seres improváveis, eles vão desbravar o cenário do Rio de Janeiro em busca de pistas e respostas. Porém, será que os dois conseguirão encontrar e impedir o assassino a tempo, antes de ele fazer novas vítimas? E como fazer para esconder todos os detalhes escabrosos da mídia?  
Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!
***
Deuses Caídos foi o livro escolhido para julho no Vórtice Fantástico aqui de Porto Alegre e eu estava bem empolgado pela leitura. Já conhecia o autor por fazermos parte da mesma agência, a Increasy, e soube da publicação pela Suma há algum tempo. Então, assim que meu exemplar chegou em mãos, iniciei a leitura, esperando uma coisa e encontrando outra completamente diferente. E devo dizer que mesmo assim, no geral, valeu a pena!
A escrita de Gabriel Tennyson é leve, fluida e envolvente. Adoro essas histórias de teor sobrenatural, mas tenho um pé atrás com aqueles que envolvem religião. Contudo, o autor soube desenvolver grande parte do livro muito bem. O que senti foi que ele inseriu muitos seres de uma vez só e alguns ficaram perdidos no meio da trama. Em certos pontos, me sentia lendo um livro de mitologia do Rick Riordan – uma versão para maiores, é claro – tamanha a quantidade.
A narrativa é feita em terceira pessoa, principalmente pela perspectiva de Cipriano, mas com alguns capítulos narrados por Júlia, pelo assassino ou por algum outro personagem que seria importante para aquele capítulo específico. Os personagens foram bem desenvolvidos e mostraram suas personalidades, mas não posso dizer que me agradaram.

“Diziam que errar era humano e persistir no erro era burrice. Errar e se orgulhar da própria merda era ser Judas Cipriano.”

Cipriano é aquela definição do macho escroto que a gente não suporta, que põe conotação sexual em tudo que dizem e faz piadas bem desnecessárias. Júlia tinha tudo para roubar a cena, mas mostrou-se uma personagem bastante apática até quase 70% do livro. Quem realmente me cativou foi Jezebel, uma súcubo travesti com um humor ácido, personalidade forte e muita sensualidade. Ela apareceu pouco, mas suas cenas foram minhas favoritas.
Um dos pontos altos do livro foi a crítica à religião católica. Temos um padre protagonista que não acredita na maioria dos ensinamentos cristãos e prova, por A + B, o quão estão errados. Não sei se existe muita opinião do autor inserida aqui, mas me identifiquei bastante com algumas passagens. Mas não pensem que é só o catolicismo que é condenado. A trama avalia a religião como um todo e explora diversas vertentes de todas as suas facetas.

“Se você, uma criatura falha, não hesitaria em fazer certo, por que seus messias se mantém imparcial? Um megalomaníaco que prefere ser pendurado em uma cruz a ter que castigar seus assassinos? Isso não é amor, é covardia!”

O final foi bastante previsível com exceção de um fato que me chocou bastante. Nesse momento, confesso que aplaudi o autor, mas até agora, dias depois de concluir a leitura, não sei se gostei do desfecho como um todo. Tennyson ainda deixou uma ponta solta que pode vir a se tornar uma continuação, ou até mesmo uma série. Não fiquei muito animado com a possibilidade, mas se por acaso acontecer, talvez eu dê uma chance.
Com tudo isso, vocês devem estar pensando que eu não gostei do livro, mas, com a graça de Cher, eu gostei sim! É aquele tipo de leitura despretensiosa, que você faz para dar algumas risadas, relaxar a mente e espairecer entre leituras mais densas. Deixo aqui minha recomendação. Talvez vocês gostem também!

Beijos e até a próxima!

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