Olá, pessoal!

Quem aí gosta de personagens girls powers?

Livro: Heroínas
Autoras: Laura Conrado, Pam Gonçalves, Ray Tavares
Editora: Galera Record
Páginas: 256
Sinopse: Três escritoras brasileiras — Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares — reinventam clássicos para inspirar cada vez mais heroínas. Não faltam heróis. Dos clássicos às histórias contemporâneas os meninos e homens estão por todo lugar. Empunhando espadas, usando varinhas mágicas, atirando flechas ou duelando com sabres de luz. Mas os tempos mudam e já está mais do que na hora de as histórias mudarem também. Com discussões feministas cada vez mais empoderadas e potentes, meninas e mulheres exigem e precisam de algo que sempre foi entregue aos meninos de bandeja: se enxergar naquilo que consomem. Este é o livro de um tempo novo, um tempo que exige que as mulheres ocupem todos os espaços, incluindo a literatura. Laura Conrado imaginou as Três mosqueteiras como veterinárias de uma ONG, que de repente contam com a ajuda de uma estudante que não hesita em levantar seu escudo para defender os animais. A Távola Redonda de Pam Gonçalves é liderada por Marina, que diante do sumiço do dinheiro que os alunos de sua escola pública arrecadaram para a formatura, desembainha a espada e reúne um grupo de meninas para garantirem a festa que planejaram. E Roberta é a Robin Hood de Ray Tavares. Indignada com a situação da comunidade em que vive, a garota usa sua habilidade como hacker para corrigir algumas injustiças. Este é um livro no qual as meninas salvam o dia. No qual elas são o que são todos os dias na vida real: heroínas. Finalmente.

Quando soube que este livro seria lançado, fiquei com muita vontade de desvendar as narrativas e conhecer cada uma das personagens principais. É claro que tive a chance de perceber as especificidades da escrita de cada uma das autoras e o que mais se destaca nelas, mas o bacana foi conseguir notar que as histórias poderiam se cruzar para os leitores de alguma maneira: nos contos nos deparamos com as lutas diárias das protagonistas, seu medos e anseios, a busca por aquilo que acreditam. Sem dúvida, Heroínas não apenas apresenta histórias divertidas, mas que nos possibilitam refletir sobre o mundo e as nossas escolhas.
Já conhecia a escrita da Laura Conrado — e sempre gostei muito —, mas tive a chance de conhecer a da Pam Gonçalves e da Ray Tavares com este livro e, confesso, também fiquei encantada. A leitura é rápida, envolvente e as narrativas exploram não apenas o pensar sobre o modo como temos sim a liberdade para seguir nossos desejos e o que acreditamos ser bom para todas nós, mas também esboçam questões sociais, pessoas mesquinhas, corruptas e hipócritas, até as relações profundas que se estabelecem entre as pessoas, a descoberta da paixão, a liberdade, a relação entre pais e filhos… Heroínas nos mostra como podemos tomar as rédeas da nossa vida e achei isso fantástico.

A primeira narrativa é a da Laura Conrado, Uma por todas, todas por uma, que nos apresenta a destemida Daniela d’Artagnan, uma jovem estudante que deseja conseguir uma boa nota no ENEM para ingressar no curso de Medicina Veterinária e que sonha em ser uma das voluntárias da Mosqueteiros, uma ONG reconhecida por cuidar dos animais. Contudo, Dani, no primeiro momento, não é bem recebida na Mosqueteiros, mas um lindo cachorrinho talvez possa ajudá-la. 

A caminho de casa, ela se depara com uma cena revoltante e, através disso, conhece Agnes, Poli e Aline, que trabalham na ONG. Acaso ou destino, Dani se torna a baby musketeer, mas o grande problema é que um dos seus sonhos não vem apenas recheado com coisas maravilhosas, mas também com muita maldade. 

A ganância de algumas pessoas na ONG pode atrapalhar não apenas a amizade da Dani com as outras três Mosqueteiras, mas o próprio funcionamento do lugar que tanto ajuda os animais. O que fazer? Quais medidas podem ser tomadas? A Dani, literalmente, se une a Agnes, Aline e Poli para manter a Mosqueteiros a salvo enquanto sua paixão por Samuel, seu melhor amigo, floresce ainda mais. Será que em Uma por todas, todas por uma, a nossa personagem principal conseguirá manter a ONG em funcionamento? E o rolo com Samuel, deslancha ou não?

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A segunda história é da Pam Gonçalves, Formandos da Távola Redonda, onde conhecemos a Marina Artiaga, uma estudante do terceiro ano do ensino médio de uma escola pública que precisa assumir (quase que obrigatoriamente) a liderança da comissão de formatura depois que o dinheiro some em um assalto à escola quando faltam apenas nove semanas para a festa.

Por ser uma das melhores alunas e seus colegas estarem em polvorosa com o acontecimento às vésperas do ENEM, Mari aceita a missão mesmo sabendo que aquilo pode ser uma grande loucura. Felizmente, ela conta com o apoio de outras formandas, que ajudam a representar as turmas do terceiro ano do colégio. Será que as garotas conseguirão fazer uma boa festa de formatura em apenas oito semanas?

Em meio às preocupações, Marina ainda precisa lidar com Guilherme, seu insistente namorado, que ronda a garota atrás de sexo. E ainda tem a, até então, melhor amiga. Nas reuniões da comissão de formatura, Marina se aproxima das garotas que a ajudam a organizar a festa, especialmente de Ludmila. É claro que elas se desdobram para pensar em soluções que ajudem a arrecadar o dinheiro para a festa e, em meio a isso, Marina sente que precisa considerar suas vontades, aceitar que deseja algo e conquistar isso.

É nesse momento que ela descobre a verdade sobre coisas em sua vida que até então eram um peso e se apaixona por uma pessoa livre, que se aceita e que faz Mari perceber que também pode fazer o mesmo. E sobre a festa? Bom, é claro que só lendo para saber o que acontece. 

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A terceira e última história é da Ray Tavares, Robin, a proscrita, que nos permite conhecer a Roberta Horácio, uma jovem que foi deixada na porta dos pais adotivos quando ainda era um bebê e que cresceu em meio às dificuldades. Ainda assim, a garota torna-se um gênio da informática e atua como cracker, favorecendo os mais necessitados e a comunidade onde vive, a Selva de Pedra.

Este lugar,  infelizmente, sofre com a desatenção dos governantes, a corrupção e a hipocrisia de Marcelo Felizzi, pastor na igreja local e que enriqueceu inesperadamente, anda de jatinho, mora em uma mansão e não faz muita coisa pela comunidade, apenas coleta as ofertas e dízimos dos fiéis.

No entanto, ele e muitos outros figurões do Brasil não podiam imaginar que Robin Hood literalmente agiria a favor daqueles que precisam junto com uma trupe afoita, falastrona e um tanto atrapalhada, mas boa no que faz. Roberta Horácio, assumindo um papel que lhe cai muito bem, desvia fortunas para ajudar as pessoas através de suas habilidades computacionais depois que sua mãe morre sem receber a ajuda que precisava e seu pai é brutalmente assassinado.

Como se não bastasse, ela é apaixonada por Miguel, o filho do pastor e se envolve em uma competição na Selva de Pedra. É claro que essa história é recheada de ação, tretas malignas e muito dinheiro. Mas será que Roberta Horácio conseguirá passar despercebida por muito tempo?

***
As três histórias são divertidas e muito bem conduzidas pelas autoras. É claro que as referências às histórias clássicas das quais foram inspiradas estão sempre presentes, mas o bacana de Heroínas é que em todas as narrativas há o protagonismo da mulher, a gana que todas têm em dar o melhor de si para alcançarem seus objetivos.


Heroínas é um livro inspirador e que nos ajuda muito a pensar sobre o papel que assumimos na sociedade, a importância de seguirmos com o que acreditamos e jamais desistir. Afinal, todas nós também somos Heroínas, não é mesmo?!
Um grande beijo e até a próxima!

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