HEY, MATES! Tudo bem?

Hoje eu quero falar de um livro que me deixou um tanto perdida em mim mesma.

Livro: De Espaços Abandonados
Autor: Luisa Geisler
Editora: Alfaguara
Páginas: 416
Sinopse: Maria Alice é introspectiva e míope; muito míope. Sua mãe, que sofria de distúrbio bipolar, desapareceu sem deixar pistas, e Maria Alice está disposta a viajar o mundo para reencontrá-la. Posts em um blog sobre espaços abandonados e exploração urbana a levam a Dublin, onde passa a viver com brasileiros que decidiram ganhar a vida no exterior, mas que perderam (ou ignoraram) o rumo. Em sua incerta busca, ela acaba seguindo o próprio desejo de se perder. Ao mesclar cartas, trechos de livros, manuais de escrita, depoimentos e arquivos perdidos em computadores, Luisa Geisler costura a vida de uma série de brasileiros autoexilados na Irlanda, em busca de um futuro melhor, ainda que não saibam o que procuram. Este livro não traça apenas a jornada de uma mulher em busca da mãe. Ele refaz, também, a história de personagens perdidas, que buscaram uma vida melhor em outros países, mas acabaram reencontrando antigos problemas nelas mesmas. São pessoas que por anos ouviram histórias sobre ganhar em euro e a mítica da sorte irlandesa, mas que agora estão entre tentar achar uma forma de fugir da vida ou encará-la de frente. 

De Espaços Abandonados é um livro incomum. É um romance que, eu consideraria como inovador e desafiador. Seguindo o seu ritmo, Luisa Geisler nos surpreende com uma trama inesperada e impactante, e acima de tudo, conflitante.
Dividido em três partes, Luisa construiu a história de Maria Alice, utilizando-se de um personagem com olhar investigativo, buscando descobrir detalhes sobre o desaparecimento de um personagem. Uma narração instável e realista como nossos pensamentos e um desenvolvimento narrativo confuso e próprio.
Não vou negar que considerei uma leitura difícil, se você pegar esse livro esperando por uma coisa x. É um livro completamente fora da caixinha. Tem uma construção única, um desenvolvimento fora do comum e personagens que não se mascaram em perfis de bom e ruim.
O livro inicia com cartas que, moldam a narrativa da trama. Uma pessoa desapareceu e um personagem ligado a ela está tentando descobrir o paradeiro dessa pessoa enviando cartas as pessoas com quem ela teve contato em sua viagem para a Irlanda. As respostas não ajudam o personagem como ele espera.

Ao que tudo indica, a personagem não marcou a vida das pessoas ou ela passava por eles como um fantasma solitário e triste. Além das cartas, a autora também utilizou de arquivos perdidos no computador o que nos dava um olhar sobre a mente da pessoa desaparecida.
A segunda parte do livro inicia-se como um manual de escrita que nós lemos, mas com o prosseguir de tal leitura descobrimos que Maria Alice também lia conosco e, aos poucos, começou a responder os questionários, ao ponto de começar a escrever um livro sobre a sua busca pela mãe desaparecida.
Por fim, o livro é selado com mais algumas cartas trocadas e arquivos pedidos de Maria Alice que não estão ali para concluir a narrativa com uma resposta pronta sobre o proposito da trama, mas para dar ao público mais perguntas.
Eu terminei essa leitura sem saber muito bem como me sentia. Eu gostei, por não ser o que eu esperava, ou não gostei por ser exatamente o que aparenta? Precisei de alguns dias para pensar sobre o livro, sobre a Maria Alice, reler alguns trechos e pensar nessa questão. O que me incomodou ao ponto de não saber como eu me sentia? Eu descobri. É a veracidade por trás da protagonista e da sua história.
Não é todo dia que eu saio em uma viagem para a Irlanda para encontrar minha mãe perdida, mas seria hipocrisia minha dizer que eu e Maria Alice não somos uma, quando ela que saiu de sua segurança em busca de algo e acabou por se encontrar. Quantas vezes eu tinha um proposito e acabei me encontrando em outro caminho, me descobrindo em algo completamente inesperado, conhecendo histórias, vivendo situações adversas, sobrevivendo?
Essa instabilidade nos pensamentos e nas ações nada mais é do que a nossa vida que um dia está de um jeito e no outro de uma outra forma. Mesmo que não pareça, as coisas mudam. Nós mudamos. Eu mudei lendo a Maria Alice ou me lendo. Ainda não decidi.

Eu sei que Maria Alice deixou o seu lar para buscar a sua mãe, mas acho que no final das contas, ela estava buscando por ela mesma e essa busca horas parecia frutífera e outras nem tanto.  Acompanhar a vida complicada de um imigrante em um país totalmente diferente do seu foi pesado, mas mais pesado ainda foi acompanhar a protagonista em momento de depressão, cansaço mental e pura nostalgia da vida.

É um livro difícil, como eu disse, e por mais que eu ainda sinta um gosto amargo na boca, eu sinto que essa história me transformou de algum modo. Eu sinto que ao ler aquele manual de escritor, a Luisa despertou uma Maria Alice em mim. E isso é difícil de conseguir, muito difícil.
A escrita da Luisa é algo que eu vou descrever como um pacote de salgadinho de queijo. Quando você abre o cheiro parece forte e vai ser complicado de comer aquilo, mas depois de uma mão cheia você não consegue parar. A capa é linda e eu passei um bom tempo admirando ela – me encontrei perdida por ela.
Eu recomendo essa leitura para quem quer se desbravar em um mundo desconhecido. Ou. Eu recomendo essa leitura para quem quer se descobrir. Ou. Eu recomendo essa leitura para quem quer se desbravar enquanto se descobre.

Um beijão!

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