Oi gente!

Hoje vamos falar sobre vulva e vagina. Sem vergonhas pessoal.

 

Livro: A Origem do Mundo

Autora: Liv Strömqusit

Editora: Quadrinhos na Cia
Páginas: 144
Sinopses: Por que as sociedades alimentaram uma relação tão esquizofrênica com a vagina ao longo dos séculos? Por que a menstruação é um tema apagado de nossa cultura quando costumava ser algo sagrado para os povos ancestrais? A origem do mundo escancara interditos e desafia mitos e tabus. Um livro genial, catártico e absolutamente necessário. Se “o pessoal é político”, como dizia o slogan da segunda onda feminista, iniciada nos anos 1960, Liv Strömquist criou um livro radical. Com humor afiado, a artista sueca expõe as mais diversas tentativas de domar,castrar e padronizar o sexo feminino ao longo da história. Dos gregos antigos a Stieg Larsson, das mulheres da Idade da Pedra a Sigmund Freud, de Jean-Paul Sartre a John Harvey Kellogg (o inventor dos sucrilhos), da fábula da bela adormecida a deusas hindus, de livros de biologia ao rapper Dogge Doggelito, A Origem do Mundo esquadrinha nossa cultura e vai até o epicentro da construção social do sexo. Para Liv, culpabilizar o prazer é um dos mais efetivos instrumentos de dominação – graças à culpa, a maçã é venenosa e o paraíso mantém seus portões fechados. Um crítica hilária, libertadora e intrusiva sobre o sexo feminino.

Em seu livro, Liv Strömquist apresenta a história da vulva, da vagina e da sexualidade feminina ao longo dos séculos. Em forma de quadrinhos, a autora traz como a visão do mundo sobre as mulheres e seu órgão sexual mudou.

Cultuado na Antiguidade e respeitado por todos, o órgão genital feminino passa, durante a Idade Média, por uma mistificação, e, consequentemente, o lugar da mulher na sociedade também é modificado. Após esta longa Idade das Trevas, a sexualidade feminina nunca mais foi vista como natural, como a do homem, por exemplo. Não sendo assunto de conversas cotidianas, não podendo se expor a intimidade da mulher, apresentada como motivo de vergonha.

O bom humor da autora e as críticas ácidas ao “interesse do patriarcado sobre a vagina e vulva” fazem com que a leitura seja leve, descontraída, ao mesmo tempo que nos traz um ótimo acervo histórico, político e crítico, além de nos motivar a conhecer nosso corpo, além de trazer o questionamento do porque isso aconteceu, de como essa interferência masculina deturpou a imagem da mulher.

O título do livro em português remonta ao quadro de Gustave Coubet “A Origem do Mundo”, no qual o artista pinta o nu feminino em sua forma mais natural. O quadro traz a representação do órgão feminino exterior.

Como feminista que sou, achei sensacional a forma de abordagem da autora para o tema. As críticas que Liv apresenta e retomada da influência de certos personagens históricos nesta mudança da visão da sexualidade feminina de ser cultuada, tida como importante, para uma visão vergonhosa, de extremos esquecimento.

A leitura é fácil e fluida, para quem gosta de quadrinhos, vai se deliciar com este, que tem um tamanho grande, ilustrações lindas (tanto em preto e branco quanto coloridas). Um ponto negativo da versão que chegou até nós é o papel que não é fotográfico, é um sulfite mais grosso (e para quem gosta do cheirinho de livros, bom, esse me retomou o cheiro de jornal, que particularmente não gosto). Em suma: mulheres e homens, leiam esse livro!
BEIJÃO E ATÉ MAIS!

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2 Comentários

  • Lary Zorzenone
    17 outubro, 2018

    Olá
    Menina, que livrão ein. Já me interessei muito e quero pra já. Como faz? Li uma trilogia ano passado que me fez ficar muito reflexiva com o tal papel da mulher na sociedade. Cara, somos forte pra um caramba, tomamos mais cuidado com as coisas, pensamos mais antes de agir e somos a maioria no mundo. Nós é que tínhamos que mandar nessa bagaça e não sucumbir ao machismo.

    Vidas em Preto e Branco

    • Marina Saraiva
      Marina Saraiva
      20 novembro, 2018

      Oi Lary!
      Mil desculpas pela demora em lhe responder. Esse livro é sensacional! Qual trilogia você leu? Quero dar uma olhada nela. Sim, as mulheres são muito fortes e fico feliz que estamos descobrindo isso a cada ano que passa e que mais mulheres estão abrindo os olhos para sua verdadeira força.
      Abraços.