HEY, MATES. TUDO BEM?

Lola terminou um relacionamento há pouco tempo. Ela precisa se encontrar, após ter passado tanto tempo concentrada em uma pessoa e voltar a dar prioridade para si mesma,  para as pessoas que ama e também para sua paixão pelo canto, além de decidir o que fará do seu futuro. Agora, ela encontra-se nessa jornada de descobertas sobre a Lola de antes e a Lola depois dos 13 segundos.

13 segundos é uma história rápida de desfrutar. A escrita de Bel é um ponto positivo para narrativa. É direta e utiliza de pouca descrição, permitindo que o leitor brinque com a sua imaginação e crie os seus cenários a partir do que é fornecido pela autora.

Os personagens, em sua maioria, são adoráveis. Eu senti que eu poderia ser acolhida por eles e que as nossas diferenças seriam, na realidade, um algo a mais na nossa amizade. Os amigos de Lola tem cada um uma qualidade distinta do outro. Ariel é impulsiva e protetora, Mel é gentil e doce e Anna é cuidadosa e prudente. John é a carta nova na história de Lola e ele tem um charme que eu considerei um tanto envolvente e não deixa de ser um cara bacana para a Lola.

A representatividade é forte na história e o tratamento de temas importantes a serem discutidos com o público infanto juvenil, como relacionamentos abusivos e revenge porn, poderiam ter recebido uma maior atenção na trama.

O meu problema com o livro inicia juntamente com o enredo ou falta dele. Até 50% da trama a história caminha para apresentar a vida de Lola após esse relacionamento e o que ela almeja para o seu futuro. Até aí é um desenvolver interessante, no entanto, em alguns momentos, eu me peguei procurando o enredo base da trama: qual era o assunto chave? O que a nossa protagonista precisava superar para desenvolver como pessoa? Não conhecemos o relacionamento dela com o ex, apenas temos relance dado a nós por ela e a opinião dos amigos. Isso não foi o bastante.

Quanto a seu futuro, a decisão parece bem clara para mim: ela quer ser cantora e não há empecilhos em sua vida que a impeçam de seguir esse sonho. Ela tem uma situação financeira boa e sua família aprova sua carreira… Então, próximo!

Toda a trama dela criar ou não um canal no youtube ganha um destaque desnecessário e um desenvolvimento um tanto questionador. Ela não queria criar por medo de represália (de que? por que?) e acaba por criar mesmo assim após perder o coral no colégio e adivinha: magicamente ela se torna uma youtuber super popular com milhares de views em poucas horas.

Mesmo com comentários desagradáveis, ela continua a crescer de um modo um tanto irreal e para mim soou como um recurso para o encaminhar do fim da trama. Então, qual era a trama central? Ela ser identificada e definida após 80% de leitura foi um tremendo erro e extremamente preocupante.

O livro parecia ter sido escrito de trás para frente, o que não fez muito sentido para mim. Se você tem tramas como relação abusiva e revenge porn isso tem que ser o centro da trama e não uma nova relação e um canal no youtube.

A autora tinha 20% de história para desenvolver toda aquela trama, os personagens e criar um final onde todos os pontos se encontrassem, solucionando as questões em aberto de um modo crível e pontual. Para mim, não foi assim que rolou.

Pelo contrário, quando o tema é introduzido, eu achei um tanto forçado, mal desenvolvido e desnecessário. Como eu disse, é importante tratarmos de tais temas com o público, mas tratar não é só jogar na trama e é isso: rolou e veja no que deu. Não, o assunto tem que ser abordado, discutido, pontos contrários mostrados, as ações e consequências disso e ao longo assistirmos o desenvolvimento dos personagens em torno disso.

O que nós acompanhamos são jovens de classe média alta querendo justiça de qualquer modo, recorrendo ao diretor do colégio para que a pessoa fosse punida (até agora não entendi o que ele poderia fazer nessa situação) e frases prontas para dar efeito.

Para me frustrar mais um pouquinho o final é tão lúdico que eu fiquei esperando a fada madrinha aparecer com uma varinha e um sorriso artificial – sem contar que o final passa uma ideia de moral um tanto questionável.

A revisão está ótima. A edição, por outro lado, pecou um tantinho em muitos parágrafos de pensamentos, sentimentos e frases que antes foi dito ou pensado pela protagonista. Uma lapidada teria deixado o texto um pouco mais limpo. Eu amei a capa e os detalhes remetem a trama pontualmente, achei lindo o desenho central – só achei um tanto soturna e eu não senti isso da trama.

Eu fico muito triste quando leio um livro e não consigo pontuar motivos para uma pessoa ler essa história. O fato de não ter me agradado não quer dizer que não agrade você – e isso é uma lição que eu passo aqui: eu não gostei do livro, mas ele não é ruim. Ele só não foi para mim e é isso. Arrisque. Você pode se surpreender.

Um beijão da Barbara Herdy!

 

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2 Comentários

  • Joyce
    04 dezembro, 2018

    Oi, tudo bem? tive a oportunidade de comprar o livro na Bienal de SP esse ano e conhecer a autora.
    Li o livro em 1 dia e gostei da história! Mas como você, também achei que ficou faltando algo, achei que fosse abordar o tema, quando na verdade é como se fizesse apenas um comentário sobre ele, mas embora tenha sido assim, eu gostei da leitura, pois fluiu muito bem!

  • Aléxia Macêdo
    30 novembro, 2018

    Oi Barbara, muito bacana a sua resenha, acho que é a primeira que leio que não deu nota 4 ou 5 para o livro e é muito bom conhecer outros pontos de vista. Não li 13 segundos ainda, mas continuo com bastante vontade. Entendi pela sua explicação porque a leitura não foi melhor para ti e talvez isso me incomode também. Obrigada pela sinceridade!