• Livro: O clube dos jardineiros de fumaça
  • Autor: Carol Bensimon
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 392
Sinopse: Em um cenário formado por coníferas milenares, estradas sinuosas e falésias, a região californiana do Triângulo da Esmeralda concentra a maior produção de maconha dos Estados Unidos. É lá que o jovem professor brasileiro Arthur busca recomeçar a vida, depois dos acontecimentos que o levaram a deixar Porto Alegre. Aos poucos, ele se insere na dinâmica local e passa a fazer parte de uma história que começa com a contracultura dos anos 1960 e se estende até o presente. À vida de Arthur e daqueles com quem estabelece vínculos ― o atormentado Dusk, a solitária Sylvia, a indecisa Tamara ― mistura-se a de personagens reais que participaram do embate que levou à descriminalização do uso da maconha, fazendo deste um poderoso romance panorâmico. Cruzando história e ficção, com uma linguagem original e ousada, a meio caminho entre Brasil e Estados Unidos, Carol Bensimon compõe em O clube dos jardineiros de fumaça um brilhante retrato da geração hippie e de seu legado.

Em O Clube dos Jardineiros de Fumaça, a autora Carol Bensimon traz a discussão sobre a maconha, seus usos em potencial e a história da erva nos EUA. Tudo através de personagens peculiares que vão se cruzando no decorrer da narrativa. Entre os personagens encontramos Arthur Lopes, professor de história de Porto Alegre que decide cultivar cannabis, juntamente com seu pai, para auxiliar na cura do câncer de sua mãe. Depois de ser denunciado, perder o emprego e perder sua mãe, o professor se vê pronto a arriscar uma aventura no Califórnia, com a desculpa de estar em um programa de pós-graduação, para aprender mais sobre a erva.

Nesta aventura na Califórnia, no condado de Mendocino, Arthur conhece Tamara. Tamara tem 40 anos, lida com uma recente separação, uma mudança inesperada de vida e acaba de descobrir quem é seu pai. É uma mulher em busca de descobrir e superar o seu passado. A partir de seu envolvimento com Tamara, Arthur conhece Dusk, um hippie que viveu os áureos tempos do movimento, quando deixou o Texas para viver na Califórnia, onde viu a formação de uma comunidade hippie – a Fish Rock Farm – num condado que viria a ser uma das maiores regiões de produção de maconha dos EUA. A propósito, Dusk é o pai de Tamara.

Arthur está vivendo em um motel a beira da Highway 1, um local desgastado e sem a menor comodidade. Então Tamara decide o convidar a morar com uma amiga, uma professora aposentada chama Sylvia, o que faz Arthur ficar desconfiado se isso dará certo. Sylvia vive de forma solitária, carregando consigo arrependimentos coletados ao logo de toda uma vida, tendo sido vítima de violência doméstica desde a infância. Dessa forma, Sylvia faz uso da maconha para fins “recreativos”, uma bomba de escape para todo seu sofrimento.

Ele queria entender tanta coisa. Lua sangrenta. A falha de San Andreas. Aquilo que parece fumaça e que chamam de Via Láctea e você pode ver quando está longe das cidades. As moscas da beira da praia. Impostos sobre gorjeta. Certas tatuagens. Uma mulher surfista com um rabo de cavalo grisalho. Ciclistas de roupas fluorescentes viajando pela Highway1. Adesivos de para-choque dizendo ‘veterano do Vietnã’. O canabidiol e os endocanabinoides. Entender de verdade. Lugares onde de repente todas as árvores morrem. A morte de sua mãe. A garota que faz bijuteria e seu discurso urgente sobre karma. Espiritualidade.

Carol Bensimon constrói muito bem os personagens de forma a mantê-los muito próximos de pessoas que poderíamos encontrar em nosso cotidiano. Estes personagens trazem consigo diferente visões de mundo, diferentes conflitos pessoais e conflitos entre suas formas de entendimento. O pano de fundo da história é a maconha, seus usos, suas proibições e sua história, que passa desde a invasão da erva trazida pelo movimento hippie, o movimento de contracultura e o simbolismo de desobediência civil. Aborda também o uso medicinal da droga, os estudos e as batalhas judiciais por meio de muitos pacientes que fazem o uso da mesma para controle de doenças.

Do ponto de vista do entendimento da maconha, o livro é excepcional. É uma viagem sobre toda a história da droga, do conservadorismos acerca de seu uso, seus benefícios e malefícios sendo discutidos. Além de questões sociais (violência e morte) por conta de seu cultivo. Estas questões nos levam a debates incríveis. Contudo, pensando de modo literário a cerca da abordagem dos personagens, do livro como um todo, a história é rasa, os personagens parecem não ter química, não fluírem, o que ajuda a leitura ficar lenta, empacada. Isto não é o que se espera de uma escritora finalista nos prêmios Jabuti e São Paulo, que figura como uma das melhores escritora brasileiras jovens na edição Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros da revista inglesa Granta e que, com seu livro Sinuca embaixo d’água, venceu a Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Literária.

De modo geral, vale a pena dar uma chance ao livro por seu conteúdo e discussão sobre a maconha, mas esteja certo de que irá encontrar por cima uma história sem boas amarrações.

BEIJÃO E ATÉ MAIS!

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