• Livro: Floresta Escura
  • Autor: Nicole Krauss
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 304
Sinopse: Jules Epstein desapareceu, não deixando nada além de um apartamento simplório e uma pasta com seu monograma abandonada no deserto de Israel. Sua família perplexa sabe apenas que ele foi aos poucos de desvencilhando dos laços, da advocacia e dos bens que levara toda uma vida para conquistar. Com o pouco que restou de seu patrimônio e um plano nebuloso, ele parte para o hotel Hilton de Tel Aviv.
Enquanto isso, Nicole, uma romancista nova-iorquina como Epstein, deixa o marido e os filhos no Brooklyn e faz check-in no mesmo hotel, esperando que a vista da piscina em que ela costumava nadar na infância cure seu bloqueio criativo. Mas quando um suposto professor aposentado de literatura a recruta para um projeto sobre Kafka, ela se vê envolta num mistério que irá transformá-la de modo nunca antes imaginado.
Pleno de vida e humor, este é um romance profundo sobre metamorfose e realização pessoal — sobre dois personagens que procuram seu eu verdadeiro a uma distância enorme de suas vidas comuns.

O que me atraiu a Floresta Escura foi a sua narrativa dramática com nuances de mistério e auto descoberta. Nicole Krauss alterna a história entre o ponto de vista de Jules Epstein, um advogado nova iorquino na beirinha dos seus setenta anos que desaparece misteriosamente em Tel Aviv; e conhecemos também uma jovem escritora. Aqui a autora narra um momento em sua vida em que ela vivia uma crise em seu casamento e sofria para conseguir escrever como antes.

O destino leva a dupla para Tel Aviv. Ela se encontra lá após tanto ser perseguida pela imagem do hotel, no qual passou as férias com a sua família. Entre o seu conflito como escritora e o desejo de pedir o divórcio, ela embarca em uma viagem em busca de algo que, ela mesma não sabe o que é e se sequer encontrará.Ela quer escrever uma livro sobre o hotel e a importância em sua história, mas o bloqueio a impede de encontrar a voz da narrativa.

Jules estava vivendo no ápice de um surto de filantropia. Antes de desaparecer, ele doa os seus bens mais valiosos adquiridos ao longo de sua vida, de obras de artes até as suas roupas. Ele segue para Tel Aviv para dar uma doação para uma instituição em homenagem a seus pais.

O tio de Nicole a coloca em contato com um professor universitário que quer recrutá-la para um projeto um tanto misterioso que acaba seduzindo a escritora, fazendo com que ela mude os seus planos e  deixe-se ser levada pelas imprevisibilidades da vida. ,

O professor descobre um mistério por trás da morte de Franz Kafka e existe a possibilidade dele não ter morrido de tuberculose. Ele teria fugido para Israel, para viver uma vida simples cuidando de seu jardim e sem a fama recebida pelos seus livros. O professor deseja que Nicole termine uma obra encontrada de Kafka. Como a dupla, ele também encontra-se perdido em sua natureza.

Jules, Kafka e Nicole não se conhecem, mas suas histórias se esbarram nas suas minuciosas semelhanças. Eles são judeus e tem importância na comunidade judia; ele pelo seu status e ela pelo seu trabalho como escritora. Além disso, eles dividem um sentimento de perda de identidade e, por mais, que em muitas vezes eles não sabem o que buscam em Tel Aviv, é por eles mesmo que acabam por encontrar.

O livro passeia por uma reflexão sobre transformação pessoal, a importância da religião e o papel da literatura na preservação da história de um povo. Aqui no caso, o judeu.

Eu comecei essa leitura empolgada com a narrativa e encantada com a escrita da autora e o trabalho da tradução. Eu me encontrei envolvida pelas histórias dessa dupla tão distinta e curiosa para acompanhar os seus passos e assistir para onde as suas escolhas os levariam: a descobrir o que desejam ou quem são.

Mas, da metade da narrativa para o final, eu fui perdendo um pouco o interesse, até que comecei a arrastar a leitura até o seu fim. O final é conciso com a sua narrativa e eu acredito que teria gostado bem mais se eu tivesse escolhido ler esse romance em outro momento em que eu estivesse mais aberta para uma trama dramática.

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