• Livro: Jane Eyre
  • Autor: Charlotte Bronte
  • Editora: Nova Fronteira
  • Páginas: 479
Sinopse: Considerado um dos maiores romances de língua inglesa, este livro acompanha o amadurecimento de Jane Eyre, uma personagem questionadora e carismática que deixou sua marca na literatura. Após tornar-se órfã e, ainda na infância, passar a viver na casa da tia enfrentando as mais difíceis privações, Jane fica anos em um internato, onde recebe educação e, posteriormente, um emprego. Contrariando o que se esperava de uma mulher na época, a protagonista busca novos desafios e se torna governanta de Miss Adèle, protegida de Mr. Rochester. Entre Jane e o novo patrão nasce uma paixão arrebatadora, obscurecida, no entanto, por um grave segredo que ele carrega. Publicado pela primeira vez em 1847, Jane Eyre é uma obra-prima de Charlotte Brontë, que abriu caminho para outras escritoras e revolucionou o fazer literário ao criar uma protagonista com anseios, reflexões e atitudes incomuns para seu próprio tempo.

HEY, MATES! TUDO BEM?

Ler Jane Eyre era uma das minhas metas nesse ano e eu me arrependo de não ter investido nessa leitura antes.

O livro conta a história de Jane Eyre – obviamente, haha -, uma jovem órfã que viveu uma infância difícil regada de privações e sem carinho algum de sua tia, sua única parente ainda viva. Após um conflito, ela é enviada para um internato, onde recebe uma educação de primeira e, mais tarde, um emprego.

Suas qualificações são altas e ela não se prende às conveniências da época. Alçando por novos desafios, ela deixa o internato para se tornar governanta de uma menininha, Adèle, protegida de Mr. Rochester. A afeição de Jane pela menina cresce, como também o interesse e paixão arrebatadora entre ela e Mr.Rochester, mas tal amor encontra um empecilho guardado em forma de um segredo.

O romance é impecável. Por muitos momentos, eu me peguei agarrada ao livro em um conflito de amor pela história e ódio por Charlotte colocar Jane nas situações mais odiosas e brutais. O fato de Charlotte ter nascido poucos anos antes da morte de Jane Austen leva os estudiosos a acreditarem que ela pode ter tido a sua escrita influenciada pela conterrânea e isso é perceptível na sua protagonista de caráter marcante, um coração puro e bom e interesse no que há além do que seus olhos podem ver.

Em uma primeira lida, Jane e Elizabeth poderiam ser amigas e compartilhar dos seus sonhos. Por outro lado, suas vidas se separariam brutalmente. Diferente de Lizzie, que lidou com a maldade e intriga humana com sua personalidade já definida, Jane era apenas uma menina quando precisou lidar com a falta dos seus pais e o descaso e inveja da sua única parente viva.

A solidão tornou-se sua amiga e a menina acostumou-se a ela nos anos no internato. Seu desejo por ver o que há além do que seus olhos alcançam não era arrogância, mas nada mais do que o seu desejo de encontrar seu lugar no mundo.

Mr. Rochester é o paralelo dessa trama. Ele é um homem vivido, um tanto entediado e muito rabugento. Ele tem experiências diferentes das vividas por Jane, mas ele pode compreender as suas amarguras e pesares por não serem tão distintas das vividas por ele. Talvez, isso tenha aproximado eles de algum modo. Suas almas se reconheceram em suas cicatrizes. A aproximação deles é calma e contida, por ambos os lados, e implode de um modo que não arrebata apenas Jane, mas também, a nós leitores.

Eu me peguei torcendo por Jane durante toda a sua trajetória. Seu sofrimento e luta eram palpáveis para mim a ponto de eu precisar parar a leitura e lidar com aqueles sentimentos revirando em mim. Eu me reconheci um pouco em suas escolhas e caráter e foi difícil ler a sua história sem me comover.

O enredo tem reviravoltas, por ora esperadas, mas suas consequências e resoluções são pontuais, inesperadas e reveladoras de um modo que eu me peguei bestificada pela construção da história desenvolvida pela autora.

Para a época, ela utilizou de artifícios (reviravoltas, um protagonista dito como velho e feio, clímax, suspense entrelaçado ao romance, o que dava até um tom misterioso) que em um romance não era algo tão comum. Inclusive, Jane Austen, a quem ela é tão comparada, pouco utilizava do clímax e suspense para movimentar seus romances, optando pelo crescimento temporal da narrativa, o que funcionava muito bem com romance romântico.

Os personagens são um diferencial à parte na trama. Todos tem defeitos, falhas, qualidades distintas e histórias marcadas por pesares, perdas e erros. Ninguém tem uma intenção pura e um coração intocado, todos sofreram algum mal que os moldaram para se tornarem a pessoa que eles são, sejam elas boas ou não. Ninguém faz maldade por fazer, existe um motivo que, por muitas vezes, está marcado em seu caráter.

O trabalho da editora Nova Fronteira está incrível. A coleção da Biblioteca Áurea tem clássicos da literatura mundial e cada um se destaca à sua maneira. A qualidade é impecável. A capa é linda e conversa com a narrativa. A revisão está no ponto e casou bem com a linguagem da autora. A tradução de Sodré Viana consegue transmitir bem as palavras de Charlotte sem perder sua voz.

Recomendo Jane Eyre para os amantes de um romance duro, apaixonante e profundamente humano.

Um beijão da Bárbara Herdy.

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