• Filme: Homem Aranha: Longe de Casa
  • Título original: Spider-Man: Far From Home
  • Diretor: Jon Watts
  • Distribuidora: Sony Pictures
  • Duração: 2h10min
  • Lançamento: 04 de julho de 2019
  • Classificação: 10 anos
  • Gênero: Sony Pictures
  • Distribuidora: Sony Pictures
Sinopse: Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries.

A Marvel em seus mais de dez anos de universo cinematográfico conseguiu trazer ao público uma grande quantidade de filmes, onde cada um tem suas particularidades e fazem parte de uma grande saga, alguns se caracterizam por ser mais episódicos e outros mais grandiosos, mas todos têm sua devida importância.

Com o enorme sucesso de “Vingadores Ultimato” que trouxe consequências gigantescas para todo o universo, “Homem-Aranha: Longe de Casa” vem com a responsabilidade de ser a conclusão da fase 3 e ao mesmo tempo um respiro depois de todo o caos que o filme anterior deixou, mostrando como todos os efeitos de Ultimato repercutiram no restante do universo.

Por ser o personagem mais famoso do estúdio, os produtores escolheram o Homem-Aranha como o responsável por dar o pontapé inicial nessa nova fase do universo Marvel, sendo totalmente justificável na própria trama onde Tony Stark confia seu legado ao jovem Peter Parker, que parece não estar disposto a tamanha responsabilidade. Se em “Homem-Aranha: De volta ao Lar” ele precisa provar seu valor perante seu mestre, agora o desafio é seguir em frente sem ele.

Em “Homem-Aranha: Longe de Casa” temos um Peter Parker (Tom Holland) muito determinado a priorizar sua vida como um jovem estudante normal, ainda atormentado pela perda que o Homem de Ferro tem em sua vida e na vida de todos que o idealizavam como o grande símbolo do heroísmo, essa responsabilidade que é tão característica no personagem, novamente vem à tona.

Seu conflito interno é abordado na primeira parte do filme, contando com uma atuação muito segura de Tom Holland, conseguindo dar ao personagem as camadas necessárias nessa continuação, mostrando que ele parece cada vez mais se encontrar no papel.

O elenco de apoio novamente se mostra muito eficaz em dar ao filme o alívio cômico necessário, embora exagerado em certos momentos, eles conseguem na maioria das vezes transmitir aquilo que o filme se propôs, que é divertir e trazer esse espírito juvenil ao Universo Marvel, e nada melhor que um garoto de 16 anos e todos seus conflitos no colégio com relacionamentos e responsabilidades.

O grande destaque fica por conta do interesse amoroso do protagonista, MJ (Zendaya) que ganha muito mais espaço nesse longa, deixando de ser uma mera coadjuvante para ser uma das grandes antagonistas, mostrando ter potencial para ser o grande par romântico do herói no futuro, certamente foi a personagem que mais teve evolução nesse segundo filme, o que não pode ser dito pelo melhor amigo de Peter, Ned (Jacob Batalon) que perdeu espaço nessa sequência, assim como seu grande desafeto no colégio, Flash Thompson (Tony Revolori) que se resume a algumas poucas piadas no decorrer da trama.

Todos esses personagens ajudam a contar o arco de Peter Parker, já sua contraparte no traje do herói mascarado nos traz de volta Nick Fury (Samuel L. Jackson) e Maria Hill (Cobie Smulders) que servem para preencher a mentoria antes ministrada por Tony Stark, e nos apresentar o grande antagonista do filme, o Mysterio (Jake Gyllenhaal), que como o próprio nome já diz, é o grande ponto de interrogação do filme.

O grande problema do filme está no roteiro e na direção, por mais que as atuações sejam muito satisfatórias, tudo que permeia os acontecimentos do filme são problemáticos, a começar pelo próprio Peter Parker que segue ainda tentando se descobrir e não demostra uma evolução com todos os eventos dos últimos filmes, seu lado infantil segue muito aflorado e parece que os produtores não conseguiram captar a essência do personagem, no qual sem o traje ele é um jovem tímido e introvertido, mas quando usa a máscara fica confiante e seguro de si.

No filme isso é descontruído, e vemos ele mesmo no traje de Homem-Aranha muito travado e não conseguindo transmitir sua real característica, vivendo muito na sombra do Tony Stark, esse que apesar de ter morrido em Ultimato, continua vivíssimo no universo, permeando quase que toda a narrativa, onde tudo que faz a trama avançar tem uma ligação ao gênio bilionário, o que é um erro, já que neste filme era para termos a consolidação do Homem-Aranha.

Isso também é reflexo da escolha da Marvel em mudar alguns fatores importantes do personagem, onde não temos a figura paterna do tio Ben e temos uma tia May totalmente descaracterizada, que apesar do bom trabalho de Marisa Tomei, não se nota uma grande influência dela na vida de Peter, o que se vê mais na figura de Happy (Jon Favreau) que apesar de servir como mais um alívio cômico, consegue ter bons momentos ao lado do jovem.

Com uma linguagem muito juvenil, o filme demora para engrenar, tendo uma série de tentativas de piadas que quebram o ritmo e perde o foco em alguns momentos. Quando somos apresentados de fato ao Mysterio, vemos que se trata de um personagem interessante, com uma sagacidade muito bem introduzida e uma relação muito próxima com o Peter.

Porém, o grande plot twist da história é previsível, decepcionante e muito mal executado, sendo um momento constrangedor do longa que apesar ter uma ideia interessante, falha na maneira que entrega isso ao público, mas apesar disso, após essa virada na trama, as coisas começam a clarear e o filme finalmente se encontra e chega no ápice com momentos muito interessantes nos duelos entre o herói e o vilão.

Todas as batalhas são bem coreografadas, o CGI funciona muito bem, nos fazendo entrar de vez na história e em toda a ameaça que o antagonista traz ao herói, e a parte final compensa a inconsistência do restante do filme. Por fim, temos uma cena pós credito digna de aplausos, que fecha com maestria o filme, nos dando curiosidade pelo que vem pela frente e deixando uma pitada de nostalgia.

“Homem-Aranha: Longe de Casa” sofre pelas inconsistências no roteiro e algumas decisões equivocadas da direção, que desconstrói o personagem e abusa de piadas que impedem a trama de avançar. Em compensação acerta nas atuações e conta com um arco final muito satisfatório e cenas de ação muito competentes, com um protagonista que demostra uma pequena evolução e deixa indícios que finalmente ele é capaz de andar com as próprias pernas.

Infelizmente o filme não está entre uma das melhores produções do estúdio, mas está longe de ser um filme ruim, deixando mais perguntas do que respostas, que serão respondidas no decorrer dos próximos anos do Universo Cinematográfico Marvel.

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