• Livro: Tudo que a Gente Sempre Quis
  • Autor: Emily Giffin
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 304
Sinopse: Casada com um membro da elite de Nashville, Nina Browning leva a vida com que sempre sonhou. Recentemente, o marido ganhou uma fortuna vendendo seu negócio de tecnologia e o filho adorado foi aceito em Princeton. No entanto, às vezes Nina se pergunta se ela se afastou dos valores com que foi criada em sua pequena cidade natal. Tom Volpe é um pai separado que se divide entre vários empregos para criar a filha, Lyla. Ele finalmente começa a relaxar depois que a menina ganha uma bolsa de estudos na escola de maior prestígio de Nashville. Filha de uma brasileira e de origem menos abastada, Lyla nem sempre se encaixa em meio a tanta riqueza e privilégios, mas, na maioria das vezes, ela é uma adolescente típica e feliz. Então uma fotografia, tirada em um momento de embriaguez em uma festa, muda tudo. À medida que a imagem se espalha, as opiniões da comunidade se dividem. No centro das mentiras e do escândalo, Tom, Nina e Lyla são forçados a questionar seus relacionamentos mais íntimos, percebendo que tudo que sempre quiseram talvez não fosse tão perfeito assim.

O que você faria se fosse pega em um momento de vulnerabilidade, e lhe tirassem uma foto comprometedora, bêbada, desacordada e seminua? E para piorar, essa foto fosse espalhada por toda a escola com uma legenda racista?

No caso de Lyla, a vítima da história, ela só queria abafar o caso e se enfiar embaixo da terra, como um avestruz, e convencer a si mesma, a todo custo, de que aquilo não era nada demais. E de que todos os garotos o faziam algo do tipo, de zoeira, e que ela até que estava gatinha na tal fotografia.

Mas não era o mesmo que Tom, o pai da garota, pensava. Quando este fato chegou ao seu conhecimento, Tom teve vontade de matar Finch, o playboyzinho responsável por tal atrocidade. Com sangue nos olhos, foi imediatamente exigir providências do diretor da escola Windsor, uma das mais aclamadas da cidade, onde Lyla estudava por conta de uma bolsa concedida. Uma caridade, como muitos de Nashville pensavam.

O caso tomou proporções desmedidas, e logo Kirk, pai do garoto, tentou abafar o caso, subornando o pai de Lyla para que ele não levasse as sérias acusações de assédio sexual adiante. Afinal, Finch havia acabado de ser admitido em Princenton, e não podia ter seu currículo e seu nome manchados por uma “bobeira” de adolescentes.

Mas o que ninguém esperava é que Nina, mãe de Finch, tomaria as dores de Lyla, e faria de tudo para que o filho fosse punido e arcasse com as consequências dos nefastos atos. Com um misto de dor por conta de traumas do passado e de um sentimento de fracasso como mãe, Nina não vai sossegar até arrancar toda a verdade do filho e fazer justiça.

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam!

***

Sou fã de Emily Giffin desde ler a duologia de O Noivo da Minha Melhor amiga. Portanto, costumo ler seus livros sem medo e embarquei nesse sem nem ao menos saber sobre o que se tratava. Entretanto, me decepcionei fortemente, e só cheguei até o final por teimosia.

Narrado em primeira pessoa por Nina, Tom e Lyla, em capítulos alternados, vislumbramos o íntimo de cada personagem e o quanto tal evento acima narrado os abalou emocionalmente, de maneiras diferentes.

Tom é pai solteiro. Foi abandonado pela mãe de Lyla quando ela era pequena e acabou assumindo uma responsabilidade gigante em criá-la e sustentá-la sozinho. Algo que nunca foi fácil, pois tinha que se dividir entre dois empregos e acabava mal tendo tempo para a filha, pois queria lhe garantir uma educação de qualidade e ainda provar para si mesmo de que era capaz de ser um bom pai, ou, o melhor pai do mundo; algo que acabou o tornando superprotetor em relação à adolescente.

Nina, apesar da infância modesta, se casou com um esnobe que se tornou trilionário e sempre teve tudo ao seu alcance. Cartões de créditos ilimitados, uma mansão esplendorosa e suas únicas preocupações resumiam-se aos eventos de caridade que devia participar e em como deveria ser portar como esposa troféu. Finch cresceu nesse meio sem se importar com regras ou valores, pois conseguia tudo o que queria, já que seu pai o mimava ao extremo.

E o que Tom e Nina tinham em comum? O sentimento extremo de fracasso em relação à paternidade e à maternidade. Ambos se sentiam péssimos pai e mãe. Tom se culpava pela criação dada à Lyla, por ela não ter tido uma mãe, por ela sair às escondidas, beber sem autorização, e se permitir se colocar em uma posição tão comprometedora quanto a da foto. Nina estava horrorizada por saber que seu filho era culpado, e não aceitava que um dia aquele bebê tão meigo e tão fofo tinha virado um monstro, e queria salvar o garoto de si mesmo a todo custo.

Apesar do clichê, a ideia da autora em trabalhar o abismo social entre as classes, as dificuldades de se criar um filho em realidades diferentes e retratar o sofrimento de uma vítima de abuso sexual é boa. Principalmente para chamar a atenção dos adolescentes de que o que o Finch fez não foi correto, e de que nenhuma desculpa nesse caso era aceitável a não ser a punição.

O que me incomodou, e muito, foi o quão raso e fútil o texto se tornou, se resumindo às brigas de Tom e Lyla, por ele querer empoderar a filha, enquanto ela só queria seguir em frente. Ou entre os dramas de Nina por se decepcionar cada vez mais com o marido, por ver a maneira tão errada e suja com a qual ele estava tentando resolver o problema do filho.

Por diversas vezes Finch passou de santo à mentiroso, e como eu queria poder ter visto o lado dele da história, ter descoberto seus reais motivos de ter feito o que fez, entender se ali havia algum sentimento de remorso, ou se ele de fato era um cafajeste e não via maldade nos seus atos. Ter entrado na mente do transgressor, ter descoberto toda a verdade sobre a fatídica festa, a meu ver, teria sido muito mais interessante.

Mas a autora preferiu fazer alguns joguinhos e lançar inúmeras perguntas no ar que nunca foram respondidas, e inserir doses de romance tão sem sentido que tornou o enredo fraco, sem profundidade, e me impediu de me conectar com os personagens, o que me deixou bem desagradada.

Se não bastasse, quando chegamos ao clímax, viramos a página e o volume acaba, recebendo um desfecho de “anos depois”, com um intuito de nos dar alguma satisfação sobre o que houve com os personagens e tentando pincelar muito rapidamente a importância de se seguir em frente e de perdoar os erros do passado.

Tudo o que a gente sempre quis é uma leitura banal, extremamente rasa, meramente de entretenimento, e que não me agregou em nada, infelizmente. Porém, quem quiser conferir, fique à vontade para tirar as suas próprias conclusões.

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