• Livro: A única memória de Flora Banks
  • Autor: Emily Barr
  • Editora: Verus
  • Páginas: 280
Sinopse: Como saber em quem confiar quando não se pode confiar nem em si mesmo? Flora Banks tem amnésia. Sua mente reinicia várias vezes ao dia desde que ela tinha dez anos, quando um tumor removido de seu cérebro levou embora a capacidade de criar novas memórias. Ela não consegue se lembrar de nada do dia a dia: a piada que a amiga fez, as instruções que seus pais lhe deram, quantos anos tem... até beijar o namorado da melhor amiga. Estranhamente, no dia seguinte ela se lembra do beijo.É a primeira vez que Flora se recorda de algo. Mas o garoto se muda para o Ártico. Segui-lo será a chave para Flora descobrir a verdade perturbadora sobre sua vida. A única memória de Flora Banks é um livro sensível com um mistério eletrizante, cheio de segredos, mentiras e uma protagonista frágil porém corajosa, em busca de um passado sem o qual ela não pode saber a verdade sobre si mesma.

Para Flora Banks a vida é um eterno computador que reinicia várias vezes ao dia e, quando volta, sempre está com o sistema mais antigo instalado. Isso porque a jovem sofre de perda de memória recente desde que sofreu um grave acidente, aos dez anos. Flora esquece tudo; onde está, quantos anos tem, o que está fazendo. Em um piscar de olhos sua vida vira um branco e ela se sente uma despreparada garota de dez anos.

Como forma de não se sentir tão perdida, a jovem criou um método de anotações que lhe norteará em pouco tempo. Dessa forma, mesmo sem saber, Flora já se acostumou a vida às escuras. Isso até que, no dia da festa de despedida do namorado da melhor amiga, Flora acaba beijando o cara e, surpreendentemente, no dia seguinte, lembra-se do que aconteceu. Para Flora isso é como a resposta para todas as suas perguntas; a cura para a sua situação.

Ela se agarra a essa única memória e decide que se precisa estar perto do cara para que sua vida volte aos eixos, irá fazê-lo. O grande porém é que esse cara está se mudando para o outro lado do continente, para o Ártico. Sem contar a ninguém e se aproveitando de uma viagem dos pais, Flora embarca em um avião para uma pequena cidade ao extremo norte, em busca do homem de sua única memória.

Você conseguiu tudo isso escrevendo para si mesma. Usou a palavra escrita para improvisar parte do trabalho que as vias neurais deveriam estar fazendo. Fez do seu caderno uma memória externa, seu cartão de memória. Você é brilhante.

Emily Barr traça a história de Flora com uma maestria absurda. A narrativa em primeira pessoa nos deixa aflitos no início, mas conforme a trama se desenvolve a gente se sente cada vez mais Flora, vivendo de acordo com os seus medos, receios e vontades. O que mais nos inspira na trama é a coragem e persistência da protagonista. Por mais que se sinta perdida em diversos momentos, ela não retrocede; luta pelo seu objetivo, por mais arriscado que possa parecer.

A forma como o livro vai crescendo conforme vamos lendo é o que mais nos prende na trama. Um livro que começa como a história de uma garota que tem uma única memória na vida, se abre para questionamentos mais profundos e coloca o leitor contra a parede, quando aborda temas que mexem profundamente dentro de nós.

É uma história que fala sobre coragem, amor-próprio e amizade. Além disso, abre um debate interessante sobre até onde os pais podem ir para proteger os filhos e em que momento essa proteção sufoca, impedindo o jovem de crescer.

Fechei o livro satisfeita pela leitura e sentindo que Flora Banks me modificou de alguma forma. O plot foi completamente fora do que eu esperava e me deixou completamente sem fôlego. Quando me despedi de Flora Banks, tudo o que eu desejava era que outras pessoas pudessem fazer àquela viagem com ela e que essa viagem mudasse a vida de muitas outras pessoas, assim como mudou a minha.

Indico demais a leitura!

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