• Livro: Cidades Afundam em Dias Normais
  • Autor: Aline Valek
  • Editora: Rocco
  • Páginas: 235
Sinopse: Alto do Oeste é uma cidade no meio do Cerrado, que, no início desse século, afundou inexplicavelmente dentro de um lago. Apesar de insólita, essa submersão foi acontecendo de forma lenta e gradual, de modo que também foi aos poucos que seus habitantes foram “expulsos” pelo avançar das águas e obrigados a abandonar à cidade. Anos depois, uma seca extrema no cerrado voltou a revelar Alto do Oeste, e todos os resquícios da vida das pessoas daquele lugar antes da inundação vieram à tona novamente, como se fossilizados pelo barro que agora encobre todas as coisas. Ao saber da notícia, Kênia Lopes, uma antiga moradora da cidade, decidiu que precisava fotografar as ruínas, como se em busca da resposta para uma questão jamais respondida: o que faziam os moradores enquanto aquele pequeno apocalipse se aproximava?

Cidades Afundam em Dias Normais nos traz a história da cidade de Alto do Oeste, um pacato lugar no meio do cerrado brasileiro. Acontece que esse lugar, aos poucos, começou a submergir e as pessoas que lá viviam foram obrigadas a deixar suas casas, até que o local foi completamente envolto por água. Dezesseis anos depois, uma seca severa atinge o cerrado e Alto do Oeste começa a ressurgir e com isso traz várias lembranças a quem lá vivia.

Kênia Lopes é uma fotógrafa que vivia em Alto do Oeste e decide voltar ao lugar, acompanhada de seu amigo argentino, Facundo, com a ideia de fazer um documentário sobre a ‘Atlântida do Cerrado’, entrevistando os moradores que também estão retornando em busca de retomar suas vidas e reviver suas memórias de antes de a cidade afundar.

É a partir disso que a história se desenvolve. Vamos acompanhar através dos olhos dos moradores e da própria Kênia todas as mudanças que Alto do Oeste sofreu e causou, intercalando passado e presente, como se fosse realmente uma exposição, onde a parte da Água traz as memórias e a parte da Seca traz as consequências.

“Se Alto do Oeste afundou, foi para que a gente pudesse contar histórias de esperança.”

Confesso a vocês que eu não sabia muita coisa sobre esse livro, até recebê-lo de cortesia da editora Rocco. A capa é simples, mas muito bonita e foi o que me chamou atenção de início. Coloquei o livro na estante, com a intenção de lê-lo algum dia. Mas então as resenhas começaram a pipocar blogosfera afora e as críticas eram muito positivas. Resolvi dar uma chance e não me arrependi.

A escrita de Aline Valek é muito gostosa. A autora conseguiu apresentar toda sua proposta e seus personagens de uma forma dinâmica, que instiga o leitor a querer saber mais e o prende na narrativa. O livro tem pouco mais de 200 páginas, mas devo dizer a vocês que nem percebi as páginas passando, eu só queria mais e mais dessa história.

Outro ponto bastante positivo foi o estilo de narrativa utilizado pela autora. Temos relatos em primeira e terceira pessoa, além de cartas, e-mails e diários. O melhor é que todos trazem seu estilo de linguagem próprio, como se fosse realmente escrito/falado pelas pessoas de verdade, com seu próprio vocabulário. E não posso deixar de falar sobre as referências aos anos 90, que me causaram tremenda nostalgia.

“Submersas por muito tempo, as memórias ganham a mesma consistência dos sonhos. A realidade se borra, a lógica do como e dos porquês escorrega, as motivações se perdem.”

Por fim, Cidades Afundam em Dias Normais foi uma grata surpresa. Finalizei o livro com várias coisas na cabeça, como se eu mesmo estivesse presente em Alto do Oeste. Sendo assim, deixo aqui minha recomendação a todos. Certamente vou em busca de ler mais da autora, que já publicou As Águas Vivas não Sabem de Si, alguns anos atrás pela Rocco. Se joguem nessa leitura!

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