• Livro: Crianças da Guerra
  • Autor: Viola Ardone
  • Editora: Faro Editorial
  • Páginas: 240
Sinopse: Em 1946, Amerigo, aos 6 anos de idade, parte num trem com centenas de outras crianças para viver por algum tempo com uma família do norte. Foi a forma que o governo encontrou para livrar os pequenos da miséria que assolou o sul depois dos efeitos catastróficos da Segunda Guerra Mundial. Amerigo é pobre, mora em Nápoles com a mãe Antonietta. Ela, então, decide oferecer ao filho a oportunidade de uma vida melhor por um tempo: escola, comida, saúde. Viola Ardone apresenta a história de um garoto enviado para um ambiente desconhecido, sem esconder nenhum aspecto dessa nova experiência, respeitando a dolorosa “duplicidade” da vida de Amerigo: a perda da mãe e a derrota da fome; as raízes cortadas e a nova serenidade; a indigna insegurança e a proteção “artificial” imposta, mas, ao mesmo tempo, providencial. Amerigo nos transporta para uma Itália que acaba de sair da guerra. Narrando a separação e também a descoberta de um mundo novo, cheio de oportunidades, ele se vê diante de dois horizontes e deseja fazer suas escolhas. “O período pós-guerra é uma mina de histórias não contadas.”

O que mães são capazes de fazer quando se trata de proteger seus filhos e livrá-los, nem que seja por algum tempo, da fome, miséria, frio e horrores dos efeitos da Segunda Guerra Mundial?

Em Crianças da Guerra, Viola Ardone nos apresenta a história de pequenos cidadãos da cidade de Nápoles embarcando no Trem Italiano da Felicidade rumo ao Norte da Itália em busca de uma nova vida, uma nova oportunidade.

Numa narrativa em 1ª pessoa, Amerigo com apenas 7 anos, nos conta como era sua vida com sua mãe e nos choca ao dizer que só se lembra de ser abraçado por ela durante os bombardeios nos quais ela o agarrava e o colocava embaixo dela para protegê-lo.

Antonietta, mãe de Amerigo, era uma mulher dura, um tanto amarga, sem carinho, sem palavras doces e vivia em situações precárias. Difícil ser de outro jeito quando nunca se conheceu o amor e sua alegria foi tirada quando perdeu Luiggi, seu primeiro filho. Para Amerigo, dela só sobrou amargura e ressentimento e de seu pai apenas o nome e a informação de que havia ido para a América tentar a sorte.

Muito me entristeceu ao imaginar a cena desse menino andando com sapatos furados, dois números menores que o dele; que para sobreviver vendia camundongos de esgoto pintados fingindo serem hamsters; cuja diversão era observar os sapatos alheios e atribuir a eles uma pontuação de acordo com a aparência, crendo que quando obtivesse cem pontos algo de bom aconteceria.

Surge Maddalena Criscuolo, a fada madrinha dessas crianças, a qual organiza tanto a viagem de ida e de volta quanto a designação de famílias acolhedoras pelo período em que estas ficariam no norte da Itália – o inverno. Amerigo foi muito bem acolhido, tinha fartas refeições, notas boas na escola, carinho de sua nova família, afeto, novos sapatos e roupas, além de estudar sua grande paixão – a música. Embora tenha todos esses diferenciais, ele se sente dividido entre a segurança de seu novo lar e o amor por sua mãe e terra distantes.

O coração fica apertado quando ele reflete quais seriam as palavras de sua mãe ao reencontrá-lo mais forte, mais corado e crescidinho. Diria “Erva ruim também cresce!”

Podemos dar aquilo que não temos? Se por toda sua vida o que recebeu foram palavras duras e nenhum afago, como demonstrar o contrário ao sangue do seu sangue? Contudo, não foi um ato de amor e entrega ao permitir que embarcasse naquele trem?

Essas e outras situações são apresentadas nessa obra digna de recomendação e reflexão: Família só existe por laços sanguíneos? Evidentemente, não!

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