07 janeiro, 2022

WIN, de Harlan Coben

  • Livro: WIN
  • Autor: Harlan Coben
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 320
Sinopse: Neste suspense inédito de Harlan Coben, o protagonista é o milionário Windsor Horne Lockwood III – ou simplesmente Win, como é chamado pelos (poucos) amigos, entre eles Myron Bolitar. Coben já teve suas obras traduzidas para 45 idiomas, contando mais de 75 milhões de exemplares vendidos. Vários de seus livros foram adaptados para o cinema e para séries de streaming, entre eles O inocente, lançada pela Netflix. Em uma cobertura em Nova York, um homem recluso é encontrado morto. Junto ao corpo, há duas peças dignas de nota: uma pintura de Vermeer e uma mala de couro com as iniciais WHL3 gravadas. Levado até o local pelo FBI, Win não faz ideia de como sua mala e o quadro que foi roubado de sua família anos atrás foram parar lá. Mas ele decide que vai descobrir, principalmente depois de saber que o homem assassinado pode estar ligado ao sequestro de sua prima, ocorrido há mais de 20 anos. Na época, ela conseguiu fugir, mas seus captores e os objetos roubados nunca foram encontrados. Dono de uma apurada capacidade de observação, Win tem três coisas a seu favor para desvendar esse mistério: uma ligação pessoal com o caso, uma enorme fortuna e um estilo único de fazer justiça.

E o momento que eu mais temia e não queria que chegasse nunca veio aí… Minha primeira decepção com Harlan Coben.

No mais recente lançamento do Mestre das Noites em Claro nós vamos reencontrar Windsor Horne Lockwood III, o irreverente e multimilionário amigo de Myron Bolitar, o detetive mais famoso escrito por Coben e protagonista de várias de suas histórias. Aqui Win será nosso protagonista e investigador principal de um crime relacionado à sua família.

Há muitos anos, duas obras de arte pertencentes à família Lockwood foram roubadas. O crime nunca foi solucionado e a esperança de reaver os quadros foi perdida. Contudo, quando um homem recluso aparece morto na cobertura de um dos prédios mais conhecidos de Nova Iorque, com um dos quadros ao seu lado, Win sabe que precisará entrar em jogo para esclarecer esse assassinato, principalmente quando uma mala com suas iniciais também é encontrada no local do crime.

Win não sabe qual a relação ainda, mas ele tem certeza de que aquele homem morto teve algo a ver com a Cabana dos Horrores, outro crime brutal que maculou o nome da família Lockwood. Na noite em que seu pai foi assassinado, Patricia Lockwood, prima de Win, foi sequestrada e levada para uma cabana no meio da floresta, onde foi brutalmente estuprada até conseguir escapar. Descobriu-se então que outras garotas já haviam passado pela mesma situação, mas não tiveram a sorte de fugir.

Eis que então um antigo amigo de Win, PT, um detetive do FBI, pede que o rapaz se envolva nesse mistério. Afinal, a identidade do homem morto foi finalmente descoberta e ele é ninguém menos que Ry Strauss, um homem foragido da polícia há muitos anos. Ry era do grupo conhecido como “Os Seis da Jane Street”, que ocasionou um acidente que matou muitas pessoas após jogarem coquetéis molotov em um prédio como forma de protesto.

Agora, Win precisará de toda sua esperteza e influência para descobrir o que realmente aconteceu naquela noite com os seis jovens de Jane Street e também qual a relação de Ry com a Cabana dos Horrores e o roubo das obras de arte. O grande problema é que para isso ele precisará entrar a fundo nos segredos mais escondidos da própria família e o que ele vai encontrar pode mudar tudo aquilo que ele acreditava saber sobre aqueles que mais ama.

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

***

Durante 2021 eu li 5 livros de Harlan Coben e me apaixonei por cada uma das histórias. O autor entrou para o meu hall de queridinhos e eu indico seus livros a todos. Então é claro que quando um livro novo dele foi anunciado, imediatamente fiquei empolgado. Estou longe de ter lido todas as obras do autor, mas estou ficando em dia com os lançamentos mais recentes. WIN me pareceu uma história que eu gostaria, mas acabou não sendo nem um pouco o que eu esperava.

O primeiro fato para eu não ter gostado tanto de WIN foi, talvez, culpa minha. Eu sabia que Win, o protagonista, era um personagem da série de Myron Bolitar. Só não esperava que seu livro solo giraria tanto em torno do detetive mais famoso de Coben. Durante o livro, que tem pouco mais de 300 páginas, Myron não aparece propriamente dizendo nenhuma vez, mas é tão citado e falado que parece que a obra é mais uma vez sobre ele. Win narra sobre a amizade dos dois, sobre como a vida de Myron está agora, sobre o que o homem faria se estivesse no seu lugar naquele momento… Eu não li a série de Bolitar ainda e por isso não peguei todas as referências. Por isso que, talvez, a culpa seja minha.

O segundo detalhe que me fez desgostar da obra foi que achei o plot bem fraco. Conforme algumas pistas foram surgindo, eu consegui adivinhar a resolução do mistério, isso antes da metade do livro. E justamente o que eu gosto nos livros de Coben é que eu nunca consigo adivinhar o final, só descubro o que aconteceu quando a verdade é jogada na minha cara. Aqui foi tudo um pouco óbvio demais e quando o desfecho foi apresentado eu só consegui dizer “viu só? Eu falei que era isso!”.

Eu gostei muito de Win como personagem. Ele é um homem carismático, apesar daquele ar de arrogância que o dinheiro lhe dá. E falando em dinheiro, é bem notável a quantidade que o protagonista tem. Viagens de helicóptero e jatinho, subornos de milhares de dólares e uma boa influência sobre muitas pessoas são constantes na obra. Se Win tivesse bem menos dinheiro, garanto que várias portas que ele abriu permaneceriam fechadas.

Gostei muito da relação de Win com sua advogada, Sadie. Os dois brigam feito gato e rato, mas se protegem mutuamente quando é necessário. Sadie é uma advogada feminista, defensora de mulheres que sofreram algum tipo de abuso, e isso a tornou bastante forte e impetuosa. Também gostei muito de Ema, a filha de Win. A relação dos dois é estranha, mas funciona para eles. A jovem é bastante inteligente e tem sua importância dentro da investigação.

Infelizmente, WIN foi um livro que não funcionou para mim, mas que eu queria de verdade ter gostado. Pretendo ler em breve os livros de Myron Bolitar e, quem sabe, meu conceito sobre essa obra muda em algum momento futuro. Mesmo com essa decepção, Harlan Coben segue sendo um dos meus autores favoritos e eu sigo recomendando suas obras. WIN pode não ter me surpreendido, mas talvez leitores que não estejam habituados a esse gênero possam gostar.

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